domingo, 12 de junho de 2011

A Degradação do ser feminino.

Quero escrever sobre o universo das mulheres e sobre as grandes transformações que estão ocorrendo nos últimos anos. Difícil para um homem escrever sobre isso, sem parecer machista ou piegas. Escolhi o dia dos namorados, para escrever, pois me parece conveniente. Não que o dia influencie nas minhas ideias, por qualquer razão, visto que sempre tive experiências positivas nesses dias. Até os dias de hoje, tive os amores que mereci, cada uma com o seu devido valor e personalidades únicas.


Ocorre que tenho observado um aumento significativo do número de solteiros e de solteiras, atualmente. Ainda que em diferentes proporções, há também pessoas que optam, inclusive, por uma mudança de opção sexual. Sobre esse último aspecto, posso escrever outro dia; porém, acredito que isso sempre existiu, na história do mundo, e é mais natural que parece. Respeito quem opta por outro caminho, ainda que me mantenha heterossexual e ogro. A grande mudança, no entanto, nos nossos tempos, está no aumento de solteiros, em ambos os sexos.


E por que isso?


Acredito que a feminilidade está em extinção. A parcela mais adorável da personalidade feminina está sumindo. E o que isso significa? Que as mulheres estão se tornando mais masculinas, nas atitudes e hábitos. Infelizmente. As mulheres sempre mantiveram suas qualidades de agregar valores e condutas, de tranquilizar os embates, de amenizar os problemas. Agora estão mudando. Estão cada vez mais parecidas e neuróticas com (e como) os homens.


E isso está ocorrendo, graças a nós, homens. Sim, nós, por milhares de anos, procuramos dominar, subjugar e menosprezar as mulheres, como dóceis seres humanos. Por séculos, obrigamos as mesmas a nos servirem e a aceitarem os nossos desejos e hipocrisias, sem chance de as mesmas poderem optar por um caminho diferente. Há poucas décadas, as mulheres ainda eram obrigadas a ficar casadas com um marido que passava a noite na farra e voltava para casa com cheiro de bebida e cigarro, indo dormir da maneira que chegava da rua, ao lado da sua “esposa”. Que papel ridículo esse a que o homem se propôs - e que obrigou as mulheres a aceitarem. Talvez isso seja da natureza do homem ou talvez seja uma perversão do processo civilizatório, não sei.


Graças a esse quadro de dominação masculina, a mulher chegou num ponto onde queria ter tudo que havia deixado para trás. Queria toda a liberdade e experimentar todas as nuanças do universo masculino - das mais suaves atitudes às mais pesadas patologias. Não estou falando apenas da liberdade sexual, mas também da civil e profissional. A mulher passou a trabalhar fora, vencer como profissional e conquistou a suposta liberdade, assim como perdeu a saúde. Nesse cenário, mulheres estão fumando mais, estão tendo mais problemas cardíacos, estão mais estressadas e a carga de trabalho ficou quatro vezes maior que no passado. Muitas estão bebendo mais e cada vez mais cedo, por diversão, sem considerar as diferenças fisiológicas entre o fígado de uma mulher e o de um homem. Já presenciei, diversas vezes, mulheres competindo com homens, copo após copo de tequila, e com qual finalidade? Afirmação.


Enquanto o homem observa tudo com um ar de desdém e admiração, no fundo, de forma coletiva, percebe que ainda segue usando a mulher.


E onde ficou perdida a feminilidade? A feminilidade de que falo consistia naquela parcela da mulher que a fazia leal, cuidadosa, uma pessoa que se preservava e que era cuidadosa com a família. Por vezes, a mulher abnegava-se de coisas em prol da família e a favor do companheiro. Era uma defensora do mesmo, da privacidade do casal, valorizando as qualidades da parceria e tendo paciência com os defeitos. Hoje em dia, para que ter paciência, se estamos numa sociedade do descartável? Uma sociedade, onde tudo é rápido e pode ser dispensado, sem maiores custos. Mesmo relações não precisam durar, afinal a vida é curta! (estou sendo irônico!)


Algumas mulheres, ao perderem a feminilidade, estão transando mais com mais parceiros, estão bebendo mais, dormindo menos e esquecendo suas famílias. Justificam tudo como uma “busca” pela felicidade e pela liberdade, quando, de fato, estão se prejudicando e corrompendo. Com o tempo, acabam se drogando, entrando em depressões ou se internando em clínicas, para solucionar problemas de temperamento, e não exatamente problemas psicológicos. Pura falta de caráter e de feminilidade.


A perda da feminilidade também está explícita na moda, em desfiles onde as modelos parecem ser “andrógenos”, metade mulher, metade robô, uma boa parcela, homem. O cinema retrata bem esse quadro, em filmes onde aparecem mulheres que espancam vilões e matam sem piedade e disfarçam-se de mulheres sem sentimentos e que usam o sexo para conquistar e conseguir o que querem.


Novelas mostram, para as crianças, que mulheres que usam de todos os artifícios para subir na vida são vitoriosas e ricas. Nas mesmas edições de seriados de TV, casais trocam de parceria como quem troca de roupa, inclusive promovendo relacionamentos dentro das próprias famílias, sem nenhum charme de trama grega.


Mulheres no trânsito também perdem a feminilidade e não agem mais com tanta cautela. Podemos observá-las cortando a frente de outros carros, invadindo o corredor de ônibus, ameaçando e xingando pedestres, andando de motos de forma violenta, entre outras façanhas. Além disso, algumas parceiras estão discutindo com os companheiros, pelo simples hábito de quererem provar um ponto de vista e vencer. Outras estão brigando com os parceiros, por dinheiro, não considerando um projeto maior de casal e futuro. Apenas visualizam o tempo presente e as aparências.


A internet está colaborando com essa perda da feminilidade. Muitas mulheres estão abreviando o caminho da conquista, através de sites de relacionamentos, onde podem analisar currículos e determinar exatamente um perfil de homem que necessitam. Nada contra isso; porém, onde fica a saudável contradição dos opostos? Algumas não percebem que estão oferecendo a sua companhia para completos desconhecidos e abrindo suas vidas e correndo risco de saúde (e dignidade), convivendo com um número maior de parceiros e se expondo, como se fossem produtos. Inclusive, alguns perfis em sites de relacionamentos são muito parecidos com perfis de sites de prostituição, com mulheres de biquíni ou seminuas e em posições reveladoras. Sob um certo aspecto, não sou contra, óbvio, porque sou um homem e gosto de vê-las. Porém, a que ponto chegam algumas pessoas? Esses dias, acessei um perfil desses e encontrei uma renomada advogada e professora se expondo como se fosse uma meretriz. Sem ofender as meretrizes. Essas últimas, profissionais, que estão perdendo mercado, a cada dia, graças à grande oferta de sexo fácil.


Sim, chegou a vez de as mulheres nos usarem!


E o que fazer quando, em um belo dia, um amigo te apresenta a namorada e você dá de cara com aquela pessoa que viu num perfil de site de relacionamento ou que sabe que é uma consumidora voraz de sexo fácil. Você estende a mão e deseja felicidades. Coitado do amigo!


Mulheres que perderam a feminilidade são falsas. Querem chamar a atenção a todo o custo e buscam, de forma mercenária, a felicidade. Pensam somente no seu bem-estar momentâneo e no quanto de valor financeiro e de status podem alcançar. Não usam os atributos femininos e, sim, agem como homens, visando o jogo da conquista. São materialistas e justificam seus fracassos amorosos como culpa de homens sem caráter, quando, de fato, estavam usando as ferramentas erradas de sedução.


Óbvio que não são todas as mulheres que perderam a feminilidade. Certamente existem muitas mulheres que convivem com toda a liberdade e recursos; porém, não perderam a principal diferença de uma mulher para um homem. Existem muitas mulheres de fibra, que persistem, que são leais aos seus parceiros, que buscam a felicidade, trabalham, se esforçam, são boas mães e boas esposas. Participam da sociedade e contribuem para algo melhor. Mulheres que mantêm sua feminilidade, sua parcela meiga e suave. São humildes, sem serem submissas (como diria a filósofa, minha mãe).


Essas verdadeiras mulheres ainda estão salvando as relações. Essas verdadeiras mulheres ainda preservam suas identidades e características, aliando tudo que a liberdade pode dar aos valores que valem a pena serem preservados. Não são descartáveis e não consideram homens como objetos ou inimigos. São aliadas dos homens e buscam evoluir. Construir algo maior. São mulheres femininas, que sabem valorizar e elogiar um homem, que sabem como satisfazer e dar mais segurança ao parceiro.


Para finalizar, quero colocar um trecho de uma psicanalista, que cita o seguinte:

“A nova mulher do milênio pode ser sensual e sedutora, com erotismo à flor da pele, sem que seja a prostituta, com uma performance apenas mecânica, ou a mulher-objeto, que é embalada com papel celofane e oferecida como mercadoria. A sensualidade e a sedução são marcas da feminilidade agora e se deslocam para o ser da mulher, de modo que não são mais patrimônio apenas dos homens. E vale ainda lembrar que a sedução não precisa mais ser encarada como pejorativa, com um caráter maléfico. Pode ter traços de doçura e de graça. A sedução é a revelação plena do desejo feminino, a conquista pela mulher de sua feminilidade. A bela atriz de cinema Greta Garbo pode ser ilustração disto, uma vez que fascinou a todos os sexos, que ficavam estonteados com a feminilidade de seu erotismo, a leveza de seus gestos, sua essência e poderia ser considerada a condensação do puro erotismo, a sua feminilização quase absoluta. Por isso permaneceu na memória de todos e no imaginário do século atual como aquilo que é mais do que o belo.”


Luciana Oltramari Cezar – Psicanalista.


http://www.flickr.com/groups/bemquerermulher/discuss/170204/


No link abaixo, um teste de feminilidade, para as mulheres que tiverem “paciência” para tal. Bom proveito!

http://galirows.com.br/teste1.php
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sábado, 14 de maio de 2011

Jardim Zen

Inspirado na antiga lenda de um samurai, o jardim japonês virou significado de equilíbrio e harmonia, tanto no Oriente quanto no Ocidente. A história que teve origem no Japão e foi difundido mundo a fora é a seguinte: um jovem samurai resolveu abandonar a escola e seguir o caminho do mal. Seu mestre tentou fazê-lo mudar de idéia e, sem sucesso, foi obrigado a desafiá-lo em uma luta: era sua missão.


A experiência e equilíbrio do mestre foram decisivos para vencer o duelo e matar o jovem.Quando chegou a notícia da morte do aluno na escola, houve uma comemoração em massa, que foi interrompida pelo vencedor da luta. Indignado, o mestre ordenou que todos os alunos preparassem o jardim da casa do samurai, em homenagem ao ex-aluno. O trabalho foi realizado com ferramentas rústicas, e as pedras, utilizadas em número ímpar, foram deslocadas com a força dos braços.Para os japoneses, estas pedras significam as adversidades e o respeito. A idéia foi transportada para uma caixa, onde o "jardineiro" pode exercitar seu equilíbrio e refletir. A reflexão sobre os nossos atos, sobre a nossa prática e consequências das mesmas é uma constante busca pelo equilíbrio. .
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Assista abaixo a entrevista com Mestre Tokuda, sobre o Zen Budismo e Artes Marciais:



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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Os Benefícios Físicos da prática do Karatê-dô

Desde cedo, pratico e pesquiso maneiras de potencializar os resultados das atividades físicas que me proponho a treinar. Pratico karatê, natação, corrida, musculação e ciclismo. Já pratiquei boxe, jiu jitsu, escalada entre outras tantas atividades que me pudessem me trazer prazer e desafio (e um pouco de endorfina).

Nenhuma se compara com o Karatê.

E isso não é uma constatação de um praticante apaixonado, é uma conclusão baseada em fatos. Nenhuma atividade consegue envolver tantas musculaturas, tendões, ossos, nervos, variação respiratória, explosão, força, velocidade entre outras. A integração da mente com o corpo ocorre de forma natural e os nossos bloqueios e limitações são rompidos um por um a cada treino. É uma forma de reconstrução da nossa estrutura fisiológica e mental.

Já tive períodos que havia parado de praticar e continuei fazendo outras atividades físicas de forma intensa e quando voltava a treinar karatê sentia dores em musculaturas que ainda não estavam sendo trabalhadas mesmo com o meu crosstraining de esportes.

E como isso acontece?

Para os japoneses a forma de avaliar se alguém é saudável é olhar da cintura para baixo – a sua base e sua forma de caminhar. Já no ocidente temos a tendência a olhar da cintura para cima. Então surgem as diferenças e o ponto onde nasce o fortalecimento do corpo através do karatê: as posturas. Para que as técnicas sejam executadas com rapidez, precisão, força e suavidade, a postura deve ser firme e estável.


No karatê são dezenas de posturas onde as variações de ângulos de pés, joelhos, pernas e todo o conjunto dos membros inferiores são trabalhados desde a faixa iniciante. O próprio andar humano já é um desafio a gravidade onde projetamos nosso peso a frente causando um desequilibro e voltando a nos estabilizar através de um jogo dinâmico de apoios e centro de equilíbrio corporal. Porém como tudo no karatê o objetivo é ir além.O objetivo dessas posturas é tirar o praticante da sua zona de conforto ir além de um simples movimento. O deslocamento de um lutador de karatê é diferenciado, seus pés são raízes que podem a qualquer momento se transformarem em folhas suaves em contato no solo. A postura das pernas pode variar para qualquer direção e ainda manter o praticante estabilizado.

Essa estabilidade tem função direta no combate. Porque não podemos nos preparar fisicamente para uma luta pensando que iremos atacar e defender em linha reta para frente e trás e somente de pé. Temos que estar prontos para eventuais improvisos de posição, possíveis irregularidades no terreno e deslocamentos efetivos sob qualquer ângulo de defesa e ataque. Por isso é exigido tanto da base de um karateka.  

Passamos para o quadril que diariamente usamos quase de forma “robótica” – duros e tensos. No Karatê o quadril ganha movimento de rotação (entre outros). E isso fortalece o abdômen, as costelas, as ligações da coxa com o fêmur e os músculos que envolvem as articulações das pernas. Meu professor sempre nos lembra dos quatro fatores que envolvem os movimentos do karatê:
  • Pressão: contato com o solo
  • Rotação: o giro que o quadril e outros membros podem fazer durante o movimento
  • Vibração: pequenos movimentos de todo o corpo visando maior poder de impacto
  • Deslocamento: o movimento dinâmico de avançar/recuar em qualquer direção
E temos também a respiração - porém sobre isso pretendo escrever num tópico especial.

Por exemplo, quando praticamos um kata temos a possibilidade de verificarmos com clareza todos esses conceitos aplicados. O Kata não é simplesmente uma forma de luta contra vários adversários, é também, uma forma de exercício. Tanto que muitos movimentos foram criados com esse intuito, fortalecer o praticante. Uma forma solitária de treino disponível em qualquer lugar e tempo que o indivíduo se dispuser a treinar. E com a correta postura aliada ao conjunto superior do corpo temos a busca da sincronia de movimentos no karatê. Todo praticante de karatê acaba se tornando um estudioso do seu próprio corpo visando atingir a sua alma. Através do suor da prática, das dificuldades motoras, da superação e do desafio constante que o karatê promove, o indivíduo está no caminho de descobrir a si mesmo.

E o que buscamos com toda essa movimentação corporal? Uma simples ginástica? Não! Todo o envolvimento da prática é a busca do Kime (foco). O poder de uma defesa ou ataque está no Kime.

De nada adianta o praticante se movimentar como se estivesse dançando ou estrategicamente jogando com seu corpo se o resultado final de uma técnica não tiver Kime – A energia final com foco. No karatê não existem mistérios ou coisas que não possam ser atingidas, e o kime é a forma mais efetivo de representar o poder físico e mental de um praticante. Em outras atividades físicas os movimentos podem ser similares, porém o Kime é que nos torna diferentes. E no Kime que repousa o grande benefício ao nosso organismo e do nosso fortalecimento físico e mental. É a busca do Kime que nos faz conhecer tantas posturas, tantos movimentos físicos e concentração. É através do Kime que crescemos e amadurecemos como praticantes e seres humanos.

Todo benefício físico do Karatê só pode ser sentido através da prática constante. Um movimento leva a outro e a outro ainda mais difícil. E na evolução do treino que sentimos o nosso fortalecimento e contato com um rico e diferente universo. Porque o Karatê-dô vai além do esporte, onde a competição e respostas são buscadas fora do indivíduo, no Karatê-dô existe um diálogo interno.

Uma vez, quando era faixa colorida e treinando forte após duas horas de treino, fiquei chateado com a quantidade de correções exigidas pelo meu professor. Imaginei “quando” chegaria num estado onde ele não me corrigisse mais ou me perguntei se ele não estaria de “implicância” comigo. Tomei coragem e resolvi questioná-lo (de forma respeitosa) após o treino. Tenho muita sorte do meu mestre – apesar da disciplina que nos impõe – ser uma pessoa aberta a esclarecer as dúvidas e disposto a interagir com seus discípulos. Num passado, não muito remoto, professores nem responderiam as perguntas dos seus alunos (por ignorância) ou diriam:

“- Treine, um dia você irá entender”.

Felizmente esse não é o caso do meu professor, que já teve as mesmas dúvidas e não se omite em responder as questões mais absurdas dos alunos. Fui e perguntei: “- Sensei Malheiros, chegará um dia que eu não serei mais corrigido? Que terei um movimento perfeito?”. Ele de forma paciente me olhou e respondeu: “- a perfeição é algo estudado pela filosofia há séculos. É uma utopia humana algo que sabemos ser inatingível. Porém... temos que tentar certo?”

É o que nos resta. Tentar e nos beneficiar dessas tentativas, erros e acertos dentro do Karatê-dô.

Oss


domingo, 8 de maio de 2011

O Poder da mudança


Me impressiono com a capacidade do ser humano em agir de forma teimosa e egoísta. Somos o que podemos ser, não precisamos mudar nada, porém a mudança é inevitável, senão ainda andaríamos de quatro, como macacos. 


E pior: não ouvindo, não vendo e não falando (veja figura acima). Porém fingindo que pensa. Se podemos evoluir em muitos aspectos, a pergunta seria: para que evoluir? para que mudar?

A resposta é simples: para melhor conviver com as diferenças!

E dentro delas usufruir de tudo de bom que as características de cada pessoa oferece. Usar o bom humor é fundamental, estudar para abrir a mente é vital, treinar o corpo e o espírito para se fortalecer é essencial. Crescer não implica na perda da inocência e do afeto, crescer serve para tornar mais fácil e efetivo o que temos dentro do nosso coração. A vida pede por crescimento (e evolução) e quando rejeitamos esse convite, logo o Universo se encarrega de nos colocar no nosso devido lugar, seja através de privações ou desafios pessoais, seja atráves da dor.


Evitar o óbvio - a mudança positiva - é ir contra a natureza humana. Manter o melhor no seu coração, bons pensamentos e ações, saúde e alegria é o mínimo que podemos fazer nos processos de mudança. O Caminho de cada um se define através das nossas ações. O tempo passa rápido e  é ótimo olhar para trás, com orgulho de ter construído relações sólidas, evoluído como ser humano e fazer a diferença. Não somente para os nossos, como para todos que usufruem da nossa presença.


Existem pessoas que justificam a sua forma de ser como sendo algo imutável, como se estivesse determinado no DNA (assim como doenças que podem estar inseridas na cadeia genética). Traços de personalidade, angústias, temperamento forte (e ser mimado) não são traços genéticos, e sim características adquiridas. Outros colocam a responsabilidade da sua felicidade em cima dos outros, querendo estabelecer um "contrato" onde o próximo deve cumprir inúmeras cláusulas da felicidade do próximo, baseadas em muitas frustrações passadas, oferecendo o mínimo ao próximo. Oras, a sua felicidade depende única e exclusivamente de você! 


Outros ajudam? sim. O próximo determina o quanto você será feliz ou infeliz? não.


A compreensão com o temperamento do próximo é um ato de amor e paciência. O entendimento sobre o tempo de mudança das pessoas que nos cerca é o mínimo, que podemos fazer, pelos nossos amigos e entres queridos. É disso que, talvez, Jesus tenha falado: "ofereça a outra face". Uma metáfora, não no caso de se deixar levar tapas na cara a toda hora, porém em ter paciência e respeito com o tempo - e mudança - de cada um. E quem não quer ou não vai mudar? não irá evoluir será um sugador da energia de tudo e todos ao seu redor. Terá mágoa e inveja dos outros, por causa da sua própria fraqueza.


Viver de passado e pensar que no futuro as coisas serão diferentes? Futuro e passado não existem. Somente o "presente" (a dádiva do agora) é que vai fazer a diferença. Faça o bem agora, sirva o próximo e conviva da melhor maneira, nem que para isso tenha que abrir mão das suas idiossincrasias, no final você verá que valeu a pena!



Liberte-se e mude! 

sábado, 16 de abril de 2011

A Solidão do Treinamento Físico.

Sou um esportista por natureza. Sempre fui agitado e praticar atividades físicas me possibilita aplacar essa agitação. Dou graças às iniciativas dos meus pais, que começaram me estimulando através do meu primeiro esporte, a natação e depois no Judô e finalmente, por iniciativa própria, o Karate-do.  Certamente o corpo humano foi desenhado para o movimento. Uns tempos atrás o famoso e coerente Dr. Dráuzio Varella comentou numa entrevista sobre o “design do corpo humano”, que a musculatura, articulações, tendões, nervos entre outros são o conjunto ideal  para atividades físicas.


Quando iniciamos uma atividade física geralmente convidamos  amigos, com o objetivo de ter pessoas amigas ou conhecidas, ao nosso redor para nos estimular. Inscrevemo-nos numa academia, começamos a caminhar, nadar, lutar, suar com amigos, parentes, esposa, marido, namorada (o). Esse é sempre um bom início, um “start” para a nossa empreitada. Entendo que não é fácil para um sedentário sair de casa, do seu conforto, para se dedicar a malhação. A própria palavra já indica, na sua etimologia, um sofrimento.

Então porque malhar? Porque insistir no treinamento físico?

Porque é tão necessário quanto outros hábitos. E realmente funciona quando se torna um hábito, não uma obrigação. No decorrer da jornada de treinamento vamos perdendo as companhias por problemas de agenda (ou boa vontade), especialmente porque nossos colegas não conseguem enxergar a atividade física como um elemento importante na rotina.

Então devemos insistir na malhação, sozinhos. E quando olhamos para o lado não há ninguém. Apenas você perseverando com seus pesos, nadando, lutando, socando, chutando, correndo.

Esses dias, num lindo comercial da marca Olympikus, eles mostraram pessoas correndo sozinhas à noite, na chuva, de madrugada através das entranhas da cidade grande. Cada um no seu ritmo e...sozinhos e questionaram: Por quê?



Sim, é difícil encontrar parceria para tudo que fazemos na vida. É difícil conciliar gostos e sabores, imaginem uma atividade física. Por isso, muitas vezes estamos sozinhos na malhação. E não escrevo isso em tom negativo - e sim - para enaltecer o caráter nobre de se persistir no seu objetivo, ainda que sozinho. Isso constrói, amadurece e traz qualidade para o seu desenvolvimento físico. Tive centenas de horas, dias, meses em que treinei sozinho. 


Lembro-me que com 15 anos de idade estava competindo com Mountain Bikes. Então sofri um acidente no colégio e machuquei o Menisco. Fiquei com a perna imobilizada, por um tempo e impossibilitado de treinar.

Quando voltei, lembro-me de não conseguir empurrar e puxar o pedal da forma correta, com força e velocidade. Então ia pedalar na estrada entre cidades próximas, na faixa para evitar novos tombos. Sem força – empurrava a perna com o braço. Sempre sozinho.

Naquele ano, me recuperei e consegui ser Campeão Estadual juvenil de Mountain Bike.


Ainda nessas passagens lembro que, ainda na adolescência, por alguma razão, fui proibido de andar com a  bike enquanto minhas notas não melhorassem na escola. Infelizmente havia uma competição marcada, na minha cidade e em pleno domingo de manhã. No dia, saí de manhã cedo para a competição, corri de bike, me sujei todo, venci e voltei voando para casa. Tomei um banho, roupa limpa e machucado, porém fui encontrar meus pais. 

Não comentei da competição, pois eu “deveria” estar de castigo de pedalar. Na segunda-feira de manhã, para minha surpresa uma matéria no jornal da cidade com uma bela foto minha pedalando. Não tive punição, pois afinal tinha vencido a prova e era algo saudável. Mesmo assim ficou o mal estar. 

A vontade de treinar, competir e envolve-se com uma atividade física é sempre solitária. E mais consistente, quando tomada sozinho.

Muitas vezes, tenho que treinar Karatê sozinho. Procuro me observar e corrigir - brigo comigo mesmo - repito centenas de vezes um movimento até chegar próximo do ideal.  E isso requer um tempo - solitário - para surgir às questões que irão qualificar o treino e a forma. Os "insights" da psicanálise ou "satoris" do Zen.

O treinamento físico é um desafio individual. A evolução conquistada será única e exclusivamente sua. Os ganhos e perdas físicos e calóricos serão seus. O músculo tem uma memória e cada dia que você treina envia a mensagem de esforço ao seu sistema físico. Força, agilidade, equilíbrio, coordenação, explosão entre outros crescem com o seu treinamento. Seu temperamento é domado, sua vontade testada e sua convicção de estar no Caminho certo é reafirmada a cada treino e dia vencido.

Sou a favor de se levar a atividade física - por vezes - ao extremo. Impor-se limites maiores e mais desafiadores. Não acredito em atividades físicas onde não existe suor e um pouco de dor. Sei que educadores físicos, médicos e fisioterapeutas (mais carolas) poderão discordar da minha opinião. E entendo o ponto deles. Entretanto sempre tive a atividade física com a intenção de fortalecer meu lado fraco, de cultivar o espírito de lutador que é da minha essência. 

E dentro disso o suor, dor e privação encontram-se sempre presentes.

Tenho certeza que o avanço da idade e das minhas demandas pessoais e profissionais vão me limitar, no futuro. Tenho certeza que os avanços físicos serão menores, e as dores maiores, porém também tenho certeza que irei persistir nos treinamentos, dentro da condição que for.

Na vida sempre  recebemos pequenas mensagens que o Universo nos oferece. A solidão do treinamento físico tem muito a ver com as solidões que temos que suportar na nossa vida. E partes das mesmas nos oferecem a oportunidade de crescermos, de amadurecermos como seres humanos. A solidão é vista de forma negativa por muitos e até assustadora para alguns - todavia pode ter o caráter de reflexão para a produção de coisas positivas no futuro. Afinal, cada um de nós tem uma vida única, como se fosse um livro original, de única edição.

Quando treinamos em noites escuras, em salas vazias, nas madrugadas onde somente os pássaros são a nossa companhia. Quando corremos na rua e começa a chover, ventar, fazer frio a ponto das mãos congelarem, quando percebemos que talvez a melhor coisa fosse desistir e voltar para casa...então olhamos para o lado e não temos ninguém...finalmente...

Percebemos que não estamos sós.

Percebemos que não existe melhor companhia, para alguns momentos, que nós mesmos.





Sobre Endorfina:


domingo, 10 de abril de 2011

Tipos de Pessoa


Meu avô classificava as pessoas em dois tipos: as que ajudam e as que atrapalham. Ele era um sujeito pragmático, militar aposentado. Sempre que me deparo com pessoas desses dois tipos me lembro do que ele dizia.

As pessoas que atrapalham são aquelas que por acidente do destino, jeito de ser ou mesmo vontade de ferrar os outros não colaboram com nada. Algumas são verdadeiros “buracos negros” que absorvem a energia de tudo (e todos) ao seu redor. A medicina oriental tem uma boa explicação para esse tipo de energia  - porém não vem ao caso citar agora, o texto ficaria muito extenso. Em outra ocasião, eu escrevo sobre isso.

Essas pessoas que “atrapalham” geralmente sentem prazer em falar sobre desgraças. Reclamam da vida, dos outros, da sua saúde e justificam a sua preguiça com as mais variadas teorias. Colocam a culpa nos outros pelos resultados que colhem, pelas suas faltas e dores.

Também são péssimos motoristas, daqueles que andam nas estradas transitando na faixa da esquerda a 80 km/h (respeitando a legislação, porém...) e não deixam ninguém ultrapassar com a justificativa que estão “na lei”. Não tem pressa e não se importam com isso. E no trânsito vemos muito essa manifestação de pessoas que atrapalham. Outras estacionam seus veículos no meio de uma vaga que caberiam dois carros. Ou ainda não se importam de fumar e falar ao celular enquanto o semáforo está aberto e dezenas de motoristas estão esperando que o indivíduo arranque seu carro.

As pessoas que atrapalham são carentes afetivas ao extremo. Querem chamar a atenção dos outros, procurando serem elementos que “interferem” em algo na vida de alguém. Não tem consciência de cidadão ou mesmo de sociedade, onde vivemos em grupos para nos fortalecer e vivermos melhor e com mais segurança. São egoístas e não prezam pelo próximo. Pessoas que atrapalham também são terríveis parceiros afetivos, pois conseguem criar situações onde o outro acaba tendo que servi-lo como se fosse um escravo.

Pedem, pedem, pedem e oferecem muito pouco em troca. Também existem no âmbito familiar: são aqueles parentes que nunca te ligam, nem em aniversários, porém quando precisam de algo lembram seu número. Sim, geralmente as pessoas que atrapalham são interesseiras - pensam somente no seu bem estar.

O mestre Dalai Lama, no seu livro “A Arte da Felicidade” um dos seus primeiros Best-sellers narra que acredita que não existem pessoas más. Diz que a essência das pessoas é boa e por isso sempre trata a todos com piedade. Que os atos negativos de uma pessoa seriam fruto de péssimas experiências e estímulos negativos do ambiente que cresceram. É uma teoria e forma de perceber os outros, creio que seja a ideal. Infelizmente eu não consigo visualizar isso no dia-a-dia.

 Acredito que existem pessoas que são más em sua essência e demonstram isso quando atrapalham os outros. Quando não respeitam a liberdade do próximo e pensam ser o centro do universo. Pessoas que atrapalham pensam demais nos seus problemas, e em como solucioná-los, sem perceber que se pudessem se doar mais ajudando o próximo, estão se permitindo evoluir.

Atualmente existem males psicológicos das mais diversas espécies todos devidamente catalogados. Muitas das “pessoas que atrapalham” acreditam sofrerem de males dessas espécies.

Entretanto já identifiquei em vários indivíduos sintomas psiquiátricos sem os mesmos terem a patologia. E percebi que esses sintomas eram fruto do temperamento e forma de agir perante o mundo, sem generosidade. Sem cortesia. E a falta disso causa doenças sérias em longo prazo.

De nada adianta em campanhas do agasalho dar uma peça de roupa ou doar comida uma vez por ano e achar que está “fazendo a sua parte” e durante o ano sacanear as outras pessoas, diariamente.

Essa atitude de não ajudar os outros e não ser responsável por aquilo que  faz está incutido também na religião. Nos católicos, por exemplo, quando cometemos um pecado, basta ir se confessar com o padre e receber a penitência (ex.: 10 aves Maria) e você está livre para pecar novamente! Então o individuo faz várias sacanagens ao próximo durante o ano, se confessa e diz que se arrepende, é perdoado pelo padre e pode voltar a pecar? É isso que está implícito na penitência rápida.

Somos responsáveis pelo que fazemos na nossa vida e cada ato negativo repercute em nossas vidas.

Todavia existem as “pessoas que ajudam”. São pessoas educadas, generosas, alegres e que se dedicam para viver bem e deixar os outros a vontade. São bons cidadãos, respeitam as regras de trânsito colaborando com o andamento do fluxo na cidade e estrada, cedem um assento no ônibus para mulheres, respeitam a pressa do próximo cedendo lugar, evitam confrontos familiares e afetivos.

No Japão antigo existia uma classe de guerreiros chamada “Samurais” que significa “aquele que serve”. Viviam para ajudar e quando não podiam honrar esse lema não era mais necessário viver.

 Ajudar o próximo, ser prestativo, gentil e honrado é uma forma de homenagear o Universo. Veja bem, temos tudo na natureza em abundância e não nos é cobrado nada em troca disso. Temos ar, sol, terra, água, plantas, comida, mar, céu, corpo entre outros. Se o Universo nos oferece coisas em abundância qual seria a mensagem contida nisso?

 Ajudar o próximo é um exercício diário. É uma forma de limpar a sua “barra” com o Universo. No momento que ajudamos, estamos fazendo as energias fluírem e as coisas andarem como deveriam. Não deixamos o caos tomar conta porque não cedemos a impulsos mesquinhos e negativos. Quando ajudamos um amigo, um ente querido, um colega de trabalho, uma namorada (o) ou esposa (o) estamos colocando as coisas no lugar.

Infelizmente as vezes queremos ajudar os outros, oferecendo uma "mão" e logo, algumas pessoas querem o "braço". Queremos dar uma força, colaborar e logo vem os abusos. Por isso muita gente passa de "gente que ajuda" para ser "gente que atrapalha". Ajudar é ótimo porém quando o fazemos para gente que atrapalha, entramos num buraco negro. Onde nossa energia será sugada. 

Há tempos atrás estava lendo um livro de Neurolingüística chamado a “A Lei do Triunfo” e nele o autor coloca que podemos educar nossos próximos a serem pessoas mais prestativas. Uma das maneiras é quando uma pessoa te agradece um favor. Já notaram o que respondemos? Geralmente é assim “obrigado” e a outra pessoa “de nada”. Ora, de nada? Como assim? Quer dizer que você não fez esforço nenhum ou se dedicou um segundo que seja a ajudar? Não é verdade! Você fez algo para ajudar. Então o autor sugere o seguinte diálogo: “obrigado” e a outra pessoa “tudo bem, não fiz nada que você também não faria por mim”. É outra perspectiva mental e forma de colocar o seu esforço.

Felizmente podemos perceber que a nossa sociedade é construída no esforço de pessoas que “ajudam”. Essas pessoas foram políticos influentes, lideres espirituais, bons profissionais e indivíduos que são sempre lembrados com carinho. São heróis de guerra, atletas e pessoas que fazem a diferença onde estão. Fazem a diferença única e exclusivamente pela dedicação em serem pessoas que ajudam, sem atrapalhar.

E você? Está ajudando ou atrapalhando no seu mundo?
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sexta-feira, 11 de março de 2011

A Amizade é Tudo

Essa semana reencontrei uma grande amiga, uma pessoa que considero minha irmã. Passamos por muitas coisas juntos e em várias décadas, desde a adolescência. Por causa das vidas cheias de demandas ficamos um tempo sem nos ver e agora marcamos de almoçar juntos uma vez por semana, no mínimo. Admiro a superação dessa minha amiga, a dedicação do seu marido (também meu amigo a décadas) e a linda (e educada) filha que eles têm.

São pessoas do bem e que vivem pelo bem.

Incrível as afinidades que temos com algumas pessoas. Essa afinidade faz inclusive a gente gostar de coisas que geralmente não gostaria, como no meu caso, pagode. Isso mesmo. Sou fã de música boa e não importa o ritmo ou tendência e a minha amiga adora pagode. No caso, ela me passou uma música muito bacana que quero compartilhar com você e fala sobre a "amizade".


A Amizade é Tudo

Jeito Moleque

Um sentimento natural
Que acontece com razão
É Deus quem escolhe
Quem vai se dar bem
A caminhada é igual
Seguindo a mesma direção
Pensando juntos nós vamos além
Lágrimas na vitória
Sempre na derrota ou glória
É luz na escuridão
Somos um só coração
Sempre vivo na memória
Faz parte da minha história
Nada vai nos separar
A amizade é tudo!
É se dar sem esperar
Nada em troca dessa união
É ter alguém pra contar
Na indecisão!
Nunca se desesperar
Sempre ali pra estender a mão
Maior valor não há!
É feito irmão!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Karatê-dô: O Caminho da Verdade.

Artes Marciais são para poucos. Karatê-dô é para menos gente ainda. Nossa atividade nunca será para as massas, nunca terá abrangência como esportes coletivos e de formato Olímpico. Ainda que um dia o Karatê-dô possa ser olímpico e comparar-se com alguns esportes (o que seria maléfico a Arte Marcial Karatê) o mesmo não tem uma quantidade surpreendente de praticantes. São alguns poucos milhões de privilegiados, ao redor do globo.

E porque é assim?

O Karatê-dô já foi testado como Arte de combate por praticantes em guerras (Japão na II Guerra Mundial, ilha de Okinawa contra piratas, etc), já foi (e continua sendo) testado como esporte até os dias de hoje por diversas federações. Já foi inclusive transformado em atividade aeróbica com músicas e coreografias para queimar calorias.

De todas as formas de Karatê que existem no mundo afora acredito no Karatê como Arte Marcial pura, ou seja, defesa pessoal. Essa forma de Karatê é o que meu mestre e eu chamamos (e acreditamos) ser o futuro da nossa arte e que leva a algo maior: o Karatê como Terapia.

Quando uma pessoa se propõe a treinar karatê-dô ela terá contato com uma realidade diferente, um novo ambiente. A começar pela roupa, um kimono branco e uma faixa branca. Aquelas vestimentas significam pureza de espírito do praticante, disciplina e uniformidade entre os colegas. Nesse momento o cérebro e costumes do novo praticante começam a ser trabalhados. O mesmo terá que ter humildade para aceitar outras roupas e irá se despir de armaduras psicológicas modernas como: moda, celular, chaves, adereços. Será apenas ele (ou ela) e um kimono branco.

Já na prática o individuo irá se deparar com a verdade sobre o seu corpo: a falta de coordenação inicial, o desequilíbrio, o descontrole na respiração, a falta de força e flexibilidade, a vergonha perante os outros, a contração muscular excessiva entre outros fatores irão aparecer como desafios a serem vencidos pelo iniciante. Somente alguém com muita persistência e humildade poderá seguir enfrentado suas fraquezas em busca de uma evolução física nesses aspectos. Até aqui nada de novo, pois as mesmas sensações podem ser sentidas em outras atividades esportivas.

Então onde o Karatê se diferencia?

No intenção do combate. Toda a preparação física e adaptação a um novo meio se justifica, pelo combate. E esse é interno e externo. Quando um praticante repete dezenas de vezes um movimento até o mesmo ficar natural ao seu corpo e cérebro, poderá aplicar com convicção na hora da luta. Quando o praticante recebe pancadas no treino e sai com hematomas, ficará mais forte para uma futura pancada. Quando o praticante perde um combate ficará mais humildade e terá a oportunidade de aprender a tirar pequenas vitórias, mesmo na derrota (ensinamento de Malheiros Sensei). 

No kumite (e dojo) o praticante é levado a outro patamar. Ele não poderá fingir que não tem medo, orgulho, raiva, ansiedade, calma, receio e coragem. É uma situação que atavicamente provoca a sensação de vida ou morte ao praticante sério e dedicado. No caso, se ele for acertado muitas vezes e não conseguir se defender seria como se estivesse morto, na natureza. E se alguém não consegue se proteger perante um agressor - como irá viver? Com medo de tudo e todos. Achar-se-á um fraco, com uma baixa estima. Nesse ponto é que o karatê-dô terapia entra. Lidando com nossas fraquezas e orgulhos. Lidando com a nossa estima. Encarando quem realmente é e oportunizando revelações (ou insights, como é chamado na psicanálise – Satori, no budismo) sobre nós mesmos. Tenho notado isso na minha prática, em colegas e alunos as mudanças que a prática de karatê-dô proporciona.

Não há como fugir de mudanças consideráveis na sua vida quando você pratica essa Arte Marcial.

Sua auto-estima melhora sua forma de perceber o mundo ao seu redor se modifica e a sua mente e espírito te mostram Caminhos que você não conseguia ver antes.

Sua mente vai deixando o lixo para trás e esvaziando-se, seu espírito fica mais forte assim como o seu corpo. Você não precisa mais lidar com tantas inseguranças e percebe que se você se esforçar, irá conseguir o que precisa. Ora, no Karatê temos que repetir movimentos dezenas de vezes, por vezes, até centenas de vezes visando atingir uma forma adequada. O suor, sacrifício, dor, angústia, choro, alegria, sangue e hematomas se justificam na sua evolução e demonstram que se você faz isso no dojo, poderá fazer o mesmo na vida. Cair e levantar, e melhorar. Persistir.

Na última aula que tive com meu mestre (Malheiros Sensei) um iniciante perguntou para ele se a técnica explicada e que estávamos treinados não seria arriscada, no caso de um contra-ataque. Meu mestre respondeu: “- desde que nascemos estamos correndo riscos. Ainda no útero materno estamos expostos a riscos. Cabe a nós enfrentá-los.”

Se o Caminho do Karatê te revela coisas caberá a cada um usar essa força interna para promover as mudanças necessárias na sua vida. Muitos desistem do treino, pois a verdade sobre si mesmo é, muitas vezes, dolorosa. Quando você enxerga a verdade sobre a sua condição, fica difícil não tomar uma atitude. E isso o Karatê proporciona: a Verdade sobre você.

Isso foi bem mostrado na série de filmes “Matrix” onde foi oferecido ao personagem principal Neo uma pílula azul e outra vermelha. Tomando a azul, Neo voltará à sua ilusória e superficial vida; se optar pela pílula vermelha, conhecerá a verdade que está por detrás do mundo que julga ser real. Neo arrisca e opta pela pílula vermelha, conhecendo, finalmente, a complexa verdade por detrás do seu mundo de aparências. A partir deste simples enunciado entre a dicotomia do mundo real e do mundo ilusório ou aparente, levantam-se muitas leituras filosóficas e religiosas. Estas pílulas representam, também, uma metáfora da condição humana: o homem que se resigna de forma dogmática e aceita passivamente tudo o que existe à sua volta ou o homem que deseja libertar-se e conhecer a verdade absoluta das coisas e o acesso ao conhecimento?

O mesmo acontece em histórias como “Alice no País das Maravilhas” e na famosa “Alegoria da Caverna” do filósofo Platão. Conheço inúmeros praticantes que quando começaram a enxergar essa faceta do Karatê, se distanciaram do mesmo. E em outros momentos, voltaram a treinar, quem sabe para experimentar mais um pouco sobre eles mesmos, porém sem nunca concluir e evoluir totalmente na prática. Existem mil atividades físicas, mesmo formas falsas e picaretas de Artes Marciais, que não irão te direcionar ao Caminho da verdade.

Cada indivíduo tem a sua forma de ver o mundo. A sua maneira, cada um acredita em algo. Não sou contra as pessoas viverem mentiras sobre si mesmas, entretanto sou a favor das mesmas buscarem todas as opções, verdadeiras ou falsas. Quando alguém escolhe o seu Caminho, que o faça de forma consciente (e com convicção) e que seja feliz.

Eu já fiz a minha escolha, e você?



domingo, 27 de fevereiro de 2011

E a nossa Liberdade?

Livre-arbítrio é a crença ou doutrina filosófica que defende que a pessoa tem o poder de escolher suas ações. Porém do que realmente se trata? O contato mais comum que temos com essa expressão vem muitas vezes da religião, que utiliza a expressão como justificativa para a "não-interferência" de Deus nas nossas decisões. Seria então o livre-arbítrio uma dádiva divina que nos dá liberdade.

A filosofia, psicologia, sociologia, religiões e doutrinas estudam o livre-arbítrio como forma de compreender as ações humanas. Não vou me estender as várias concepções da nossa liberdade de escolhas, vou escrever sobre questões referente ao tema.

Se temos liberdade para optar por situações em nossas vidas onde fica a nossa responsabilidade perante as outras pessoas? família, amigos, trabalho, sociedade? no caso, desde o momento que nascemos já estamos compromissados com um meio social e expostos a um ambiente. Os espíritas diriam que cada pessoa nasce já na família que precisa para se purificar como espírito e acrescentam que nossos melhores amigos encarnam sempre próximos a gente, para nos ajudar nessa purificação da alma.

Então no caso a nossa liberdade já estaria comprometida, pois não escolhemos onde vamos nascer.

E quando tomamos consciência do poder das nossas escolhas? nesse momentos estamos cientes da nossa realidade e podemos mudar nossos destinos. Porém para muitos falta um atributo básico: coragem. Muitas pessoas gostam de viver escravas dos seus problemas e se acovardam em enfrentá-los. Buscam ajuda em conselhos, mobilizam de forma egoísta os familiares e amigos, para então, decidirem não mudarem nada. Ou partem para a reclamação e se tornam, com o tempo, pessoas amargas e sem vida.

Num exemplo clássico, indagado sobre a liberdade e o poder de escolhas, o filósofo Sartre* foi exposto ao exemplo de um soldado na guerra, no campo de batalha. Nessa situação, o soldado não teria escolha nem liberdade, pois na guerra deve matar o inimigo - é a sua vida em jogo. Sartre explicou que não, que mesmo na guerra o soldado tinha poder de escolha e muitos soldados morrem por não conseguirem matar o inimigo. É uma situação extrema, porém ainda assim temos liberdade para escolher mesmo que as consequências sejam graves para nós.

Na nossa sociedade temos convivido com uma demanda imensa de informações, e, por vezes, nos vemos "escravos" da engrenagem social ao nosso redor. São informações morais e éticas que nos conduzem a agir de determinada maneira, como por exemplo: instituir família, casar, ter filhos, ganhar dinheiro, comprar carro, casa, ser feliz, envelhecer e morrer. Dentro disso tudo, temos algumas coisas que enriquecem nossas existências e passam despercebidas.

Podem ser pessoas que conhecemos, experiências que deixamos de viver, opções que deixamos de escolher ou limites que nos colocamos para tudo. Então não estamos utilizando a nossa liberdade da melhor maneira, somos prisioneiros de nós mesmos. Porém não seria isso uma opção? não seria isso o uso do nosso livre arbítrio?

No Budismo temos o Karma é a palavra para "ato" ou "ação" e, nesse sentido, usa-se a palavra em textos mais antigos para ilustrar a importância de desenvolver atitudes e intenções corretas. Considera-se que por gerar carma os seres encontram-se presos, e portanto, a última meta da prática budista é extinguir o carma. Então, para o Budismo, estaríamos determinados na nossa vida e escolhas. Seria o equivalente a terceira lei de Newton da física: "Para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário".

De forma concreta o que podemos fazer com o nosso Livre-arbítrio?

Acredito que podemos ter consciência dele, maturidade para aceitar que o nosso poder de escolha diz respeito somente a nós e agir em prol disso, sem colocar a culpa das nossas escolhas nos outros ou no destino. A única certeza que temos é que estamos vivos e que o nosso presente é aqui e agora, e que as nossas ações, são importantes para gerar tanto o bem, como o mal em nossas vidas.

Podemos evitar agir de forma covarde com nós mesmos e com os outros, criando expectativas de coisas que não irão ocorrer ao acaso, ou ainda acreditar, que podemos mudar nosso presente a partir das nossas ações reais em busca de uma outra realidade.

São Tomé, um dos apóstolos de Jesus, em uma passagem da bíblia (João 20:24-29) duvida da ressurreição de Jesus e diz que precisa "ver para crer" as chagas de Jesus.  O autor Roberto Shinyashiki cita o exemplo em um dos seus livros e o transfere para o campo da administração, refazendo a frase que fica assim: "crer para ver". Ou seja: temos que acreditar que a nossa liberdade de escolha é significativa - para ver algo acontecer.

Sem convicção e ação em prol disso nada poderá se realizar de positivo em nossas vidas.

Nem sempre iremos acertar, porém não podemos deixar de tentar. Não podemos nos omitir perante a nossa própria existência, permitir injustiças com o próximo ou nos alienar de nós mesmos. E para isso já temos a ferramenta básica dentro de nós, basta ter a vontade e coragem de usá-la. Com certeza toda a vez que tentamos com coragem, verdade, razão e amor os resultados são maravilhosos.

Falar nisso...creio que esse assunto terá (e merece) várias continuações.




Para saber mais sobre Livre-arbítrio: http://pt.wikipedia.org/wiki/Livre-arb%C3%ADtrio

* Jean-Paul Sartre Filósofo francês, nascido em Paris, em 1905, falecido em 1980. Sartre destacou-se não somente com as obras filosóficas, mas, sobretudo com as literárias, foi inclusive agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, em 1964, após a publicação de As Palavras. Porém recusou-se aceitá-lo por entender que seria reconhecer que os juízes tivessem autoridade sobre sua obra. (fonte: Professor Rodrigo)