sexta-feira, 13 de maio de 2011

Os Benefícios Físicos da prática do Karatê-dô

Desde cedo, pratico e pesquiso maneiras de potencializar os resultados das atividades físicas que me proponho a treinar. Pratico karatê, natação, corrida, musculação e ciclismo. Já pratiquei boxe, jiu jitsu, escalada entre outras tantas atividades que me pudessem me trazer prazer e desafio (e um pouco de endorfina).

Nenhuma se compara com o Karatê.

E isso não é uma constatação de um praticante apaixonado, é uma conclusão baseada em fatos. Nenhuma atividade consegue envolver tantas musculaturas, tendões, ossos, nervos, variação respiratória, explosão, força, velocidade entre outras. A integração da mente com o corpo ocorre de forma natural e os nossos bloqueios e limitações são rompidos um por um a cada treino. É uma forma de reconstrução da nossa estrutura fisiológica e mental.

Já tive períodos que havia parado de praticar e continuei fazendo outras atividades físicas de forma intensa e quando voltava a treinar karatê sentia dores em musculaturas que ainda não estavam sendo trabalhadas mesmo com o meu crosstraining de esportes.

E como isso acontece?

Para os japoneses a forma de avaliar se alguém é saudável é olhar da cintura para baixo – a sua base e sua forma de caminhar. Já no ocidente temos a tendência a olhar da cintura para cima. Então surgem as diferenças e o ponto onde nasce o fortalecimento do corpo através do karatê: as posturas. Para que as técnicas sejam executadas com rapidez, precisão, força e suavidade, a postura deve ser firme e estável.


No karatê são dezenas de posturas onde as variações de ângulos de pés, joelhos, pernas e todo o conjunto dos membros inferiores são trabalhados desde a faixa iniciante. O próprio andar humano já é um desafio a gravidade onde projetamos nosso peso a frente causando um desequilibro e voltando a nos estabilizar através de um jogo dinâmico de apoios e centro de equilíbrio corporal. Porém como tudo no karatê o objetivo é ir além.O objetivo dessas posturas é tirar o praticante da sua zona de conforto ir além de um simples movimento. O deslocamento de um lutador de karatê é diferenciado, seus pés são raízes que podem a qualquer momento se transformarem em folhas suaves em contato no solo. A postura das pernas pode variar para qualquer direção e ainda manter o praticante estabilizado.

Essa estabilidade tem função direta no combate. Porque não podemos nos preparar fisicamente para uma luta pensando que iremos atacar e defender em linha reta para frente e trás e somente de pé. Temos que estar prontos para eventuais improvisos de posição, possíveis irregularidades no terreno e deslocamentos efetivos sob qualquer ângulo de defesa e ataque. Por isso é exigido tanto da base de um karateka.  

Passamos para o quadril que diariamente usamos quase de forma “robótica” – duros e tensos. No Karatê o quadril ganha movimento de rotação (entre outros). E isso fortalece o abdômen, as costelas, as ligações da coxa com o fêmur e os músculos que envolvem as articulações das pernas. Meu professor sempre nos lembra dos quatro fatores que envolvem os movimentos do karatê:
  • Pressão: contato com o solo
  • Rotação: o giro que o quadril e outros membros podem fazer durante o movimento
  • Vibração: pequenos movimentos de todo o corpo visando maior poder de impacto
  • Deslocamento: o movimento dinâmico de avançar/recuar em qualquer direção
E temos também a respiração - porém sobre isso pretendo escrever num tópico especial.

Por exemplo, quando praticamos um kata temos a possibilidade de verificarmos com clareza todos esses conceitos aplicados. O Kata não é simplesmente uma forma de luta contra vários adversários, é também, uma forma de exercício. Tanto que muitos movimentos foram criados com esse intuito, fortalecer o praticante. Uma forma solitária de treino disponível em qualquer lugar e tempo que o indivíduo se dispuser a treinar. E com a correta postura aliada ao conjunto superior do corpo temos a busca da sincronia de movimentos no karatê. Todo praticante de karatê acaba se tornando um estudioso do seu próprio corpo visando atingir a sua alma. Através do suor da prática, das dificuldades motoras, da superação e do desafio constante que o karatê promove, o indivíduo está no caminho de descobrir a si mesmo.

E o que buscamos com toda essa movimentação corporal? Uma simples ginástica? Não! Todo o envolvimento da prática é a busca do Kime (foco). O poder de uma defesa ou ataque está no Kime.

De nada adianta o praticante se movimentar como se estivesse dançando ou estrategicamente jogando com seu corpo se o resultado final de uma técnica não tiver Kime – A energia final com foco. No karatê não existem mistérios ou coisas que não possam ser atingidas, e o kime é a forma mais efetivo de representar o poder físico e mental de um praticante. Em outras atividades físicas os movimentos podem ser similares, porém o Kime é que nos torna diferentes. E no Kime que repousa o grande benefício ao nosso organismo e do nosso fortalecimento físico e mental. É a busca do Kime que nos faz conhecer tantas posturas, tantos movimentos físicos e concentração. É através do Kime que crescemos e amadurecemos como praticantes e seres humanos.

Todo benefício físico do Karatê só pode ser sentido através da prática constante. Um movimento leva a outro e a outro ainda mais difícil. E na evolução do treino que sentimos o nosso fortalecimento e contato com um rico e diferente universo. Porque o Karatê-dô vai além do esporte, onde a competição e respostas são buscadas fora do indivíduo, no Karatê-dô existe um diálogo interno.

Uma vez, quando era faixa colorida e treinando forte após duas horas de treino, fiquei chateado com a quantidade de correções exigidas pelo meu professor. Imaginei “quando” chegaria num estado onde ele não me corrigisse mais ou me perguntei se ele não estaria de “implicância” comigo. Tomei coragem e resolvi questioná-lo (de forma respeitosa) após o treino. Tenho muita sorte do meu mestre – apesar da disciplina que nos impõe – ser uma pessoa aberta a esclarecer as dúvidas e disposto a interagir com seus discípulos. Num passado, não muito remoto, professores nem responderiam as perguntas dos seus alunos (por ignorância) ou diriam:

“- Treine, um dia você irá entender”.

Felizmente esse não é o caso do meu professor, que já teve as mesmas dúvidas e não se omite em responder as questões mais absurdas dos alunos. Fui e perguntei: “- Sensei Malheiros, chegará um dia que eu não serei mais corrigido? Que terei um movimento perfeito?”. Ele de forma paciente me olhou e respondeu: “- a perfeição é algo estudado pela filosofia há séculos. É uma utopia humana algo que sabemos ser inatingível. Porém... temos que tentar certo?”

É o que nos resta. Tentar e nos beneficiar dessas tentativas, erros e acertos dentro do Karatê-dô.

Oss


domingo, 8 de maio de 2011

O Poder da mudança


Me impressiono com a capacidade do ser humano em agir de forma teimosa e egoísta. Somos o que podemos ser, não precisamos mudar nada, porém a mudança é inevitável, senão ainda andaríamos de quatro, como macacos. 


E pior: não ouvindo, não vendo e não falando (veja figura acima). Porém fingindo que pensa. Se podemos evoluir em muitos aspectos, a pergunta seria: para que evoluir? para que mudar?

A resposta é simples: para melhor conviver com as diferenças!

E dentro delas usufruir de tudo de bom que as características de cada pessoa oferece. Usar o bom humor é fundamental, estudar para abrir a mente é vital, treinar o corpo e o espírito para se fortalecer é essencial. Crescer não implica na perda da inocência e do afeto, crescer serve para tornar mais fácil e efetivo o que temos dentro do nosso coração. A vida pede por crescimento (e evolução) e quando rejeitamos esse convite, logo o Universo se encarrega de nos colocar no nosso devido lugar, seja através de privações ou desafios pessoais, seja atráves da dor.


Evitar o óbvio - a mudança positiva - é ir contra a natureza humana. Manter o melhor no seu coração, bons pensamentos e ações, saúde e alegria é o mínimo que podemos fazer nos processos de mudança. O Caminho de cada um se define através das nossas ações. O tempo passa rápido e  é ótimo olhar para trás, com orgulho de ter construído relações sólidas, evoluído como ser humano e fazer a diferença. Não somente para os nossos, como para todos que usufruem da nossa presença.


Existem pessoas que justificam a sua forma de ser como sendo algo imutável, como se estivesse determinado no DNA (assim como doenças que podem estar inseridas na cadeia genética). Traços de personalidade, angústias, temperamento forte (e ser mimado) não são traços genéticos, e sim características adquiridas. Outros colocam a responsabilidade da sua felicidade em cima dos outros, querendo estabelecer um "contrato" onde o próximo deve cumprir inúmeras cláusulas da felicidade do próximo, baseadas em muitas frustrações passadas, oferecendo o mínimo ao próximo. Oras, a sua felicidade depende única e exclusivamente de você! 


Outros ajudam? sim. O próximo determina o quanto você será feliz ou infeliz? não.


A compreensão com o temperamento do próximo é um ato de amor e paciência. O entendimento sobre o tempo de mudança das pessoas que nos cerca é o mínimo, que podemos fazer, pelos nossos amigos e entres queridos. É disso que, talvez, Jesus tenha falado: "ofereça a outra face". Uma metáfora, não no caso de se deixar levar tapas na cara a toda hora, porém em ter paciência e respeito com o tempo - e mudança - de cada um. E quem não quer ou não vai mudar? não irá evoluir será um sugador da energia de tudo e todos ao seu redor. Terá mágoa e inveja dos outros, por causa da sua própria fraqueza.


Viver de passado e pensar que no futuro as coisas serão diferentes? Futuro e passado não existem. Somente o "presente" (a dádiva do agora) é que vai fazer a diferença. Faça o bem agora, sirva o próximo e conviva da melhor maneira, nem que para isso tenha que abrir mão das suas idiossincrasias, no final você verá que valeu a pena!



Liberte-se e mude! 

sábado, 16 de abril de 2011

A Solidão do Treinamento Físico.

Sou um esportista por natureza. Sempre fui agitado e praticar atividades físicas me possibilita aplacar essa agitação. Dou graças às iniciativas dos meus pais, que começaram me estimulando através do meu primeiro esporte, a natação e depois no Judô e finalmente, por iniciativa própria, o Karate-do.  Certamente o corpo humano foi desenhado para o movimento. Uns tempos atrás o famoso e coerente Dr. Dráuzio Varella comentou numa entrevista sobre o “design do corpo humano”, que a musculatura, articulações, tendões, nervos entre outros são o conjunto ideal  para atividades físicas.


Quando iniciamos uma atividade física geralmente convidamos  amigos, com o objetivo de ter pessoas amigas ou conhecidas, ao nosso redor para nos estimular. Inscrevemo-nos numa academia, começamos a caminhar, nadar, lutar, suar com amigos, parentes, esposa, marido, namorada (o). Esse é sempre um bom início, um “start” para a nossa empreitada. Entendo que não é fácil para um sedentário sair de casa, do seu conforto, para se dedicar a malhação. A própria palavra já indica, na sua etimologia, um sofrimento.

Então porque malhar? Porque insistir no treinamento físico?

Porque é tão necessário quanto outros hábitos. E realmente funciona quando se torna um hábito, não uma obrigação. No decorrer da jornada de treinamento vamos perdendo as companhias por problemas de agenda (ou boa vontade), especialmente porque nossos colegas não conseguem enxergar a atividade física como um elemento importante na rotina.

Então devemos insistir na malhação, sozinhos. E quando olhamos para o lado não há ninguém. Apenas você perseverando com seus pesos, nadando, lutando, socando, chutando, correndo.

Esses dias, num lindo comercial da marca Olympikus, eles mostraram pessoas correndo sozinhas à noite, na chuva, de madrugada através das entranhas da cidade grande. Cada um no seu ritmo e...sozinhos e questionaram: Por quê?



Sim, é difícil encontrar parceria para tudo que fazemos na vida. É difícil conciliar gostos e sabores, imaginem uma atividade física. Por isso, muitas vezes estamos sozinhos na malhação. E não escrevo isso em tom negativo - e sim - para enaltecer o caráter nobre de se persistir no seu objetivo, ainda que sozinho. Isso constrói, amadurece e traz qualidade para o seu desenvolvimento físico. Tive centenas de horas, dias, meses em que treinei sozinho. 


Lembro-me que com 15 anos de idade estava competindo com Mountain Bikes. Então sofri um acidente no colégio e machuquei o Menisco. Fiquei com a perna imobilizada, por um tempo e impossibilitado de treinar.

Quando voltei, lembro-me de não conseguir empurrar e puxar o pedal da forma correta, com força e velocidade. Então ia pedalar na estrada entre cidades próximas, na faixa para evitar novos tombos. Sem força – empurrava a perna com o braço. Sempre sozinho.

Naquele ano, me recuperei e consegui ser Campeão Estadual juvenil de Mountain Bike.


Ainda nessas passagens lembro que, ainda na adolescência, por alguma razão, fui proibido de andar com a  bike enquanto minhas notas não melhorassem na escola. Infelizmente havia uma competição marcada, na minha cidade e em pleno domingo de manhã. No dia, saí de manhã cedo para a competição, corri de bike, me sujei todo, venci e voltei voando para casa. Tomei um banho, roupa limpa e machucado, porém fui encontrar meus pais. 

Não comentei da competição, pois eu “deveria” estar de castigo de pedalar. Na segunda-feira de manhã, para minha surpresa uma matéria no jornal da cidade com uma bela foto minha pedalando. Não tive punição, pois afinal tinha vencido a prova e era algo saudável. Mesmo assim ficou o mal estar. 

A vontade de treinar, competir e envolve-se com uma atividade física é sempre solitária. E mais consistente, quando tomada sozinho.

Muitas vezes, tenho que treinar Karatê sozinho. Procuro me observar e corrigir - brigo comigo mesmo - repito centenas de vezes um movimento até chegar próximo do ideal.  E isso requer um tempo - solitário - para surgir às questões que irão qualificar o treino e a forma. Os "insights" da psicanálise ou "satoris" do Zen.

O treinamento físico é um desafio individual. A evolução conquistada será única e exclusivamente sua. Os ganhos e perdas físicos e calóricos serão seus. O músculo tem uma memória e cada dia que você treina envia a mensagem de esforço ao seu sistema físico. Força, agilidade, equilíbrio, coordenação, explosão entre outros crescem com o seu treinamento. Seu temperamento é domado, sua vontade testada e sua convicção de estar no Caminho certo é reafirmada a cada treino e dia vencido.

Sou a favor de se levar a atividade física - por vezes - ao extremo. Impor-se limites maiores e mais desafiadores. Não acredito em atividades físicas onde não existe suor e um pouco de dor. Sei que educadores físicos, médicos e fisioterapeutas (mais carolas) poderão discordar da minha opinião. E entendo o ponto deles. Entretanto sempre tive a atividade física com a intenção de fortalecer meu lado fraco, de cultivar o espírito de lutador que é da minha essência. 

E dentro disso o suor, dor e privação encontram-se sempre presentes.

Tenho certeza que o avanço da idade e das minhas demandas pessoais e profissionais vão me limitar, no futuro. Tenho certeza que os avanços físicos serão menores, e as dores maiores, porém também tenho certeza que irei persistir nos treinamentos, dentro da condição que for.

Na vida sempre  recebemos pequenas mensagens que o Universo nos oferece. A solidão do treinamento físico tem muito a ver com as solidões que temos que suportar na nossa vida. E partes das mesmas nos oferecem a oportunidade de crescermos, de amadurecermos como seres humanos. A solidão é vista de forma negativa por muitos e até assustadora para alguns - todavia pode ter o caráter de reflexão para a produção de coisas positivas no futuro. Afinal, cada um de nós tem uma vida única, como se fosse um livro original, de única edição.

Quando treinamos em noites escuras, em salas vazias, nas madrugadas onde somente os pássaros são a nossa companhia. Quando corremos na rua e começa a chover, ventar, fazer frio a ponto das mãos congelarem, quando percebemos que talvez a melhor coisa fosse desistir e voltar para casa...então olhamos para o lado e não temos ninguém...finalmente...

Percebemos que não estamos sós.

Percebemos que não existe melhor companhia, para alguns momentos, que nós mesmos.





Sobre Endorfina:


domingo, 10 de abril de 2011

Tipos de Pessoa


Meu avô classificava as pessoas em dois tipos: as que ajudam e as que atrapalham. Ele era um sujeito pragmático, militar aposentado. Sempre que me deparo com pessoas desses dois tipos me lembro do que ele dizia.

As pessoas que atrapalham são aquelas que por acidente do destino, jeito de ser ou mesmo vontade de ferrar os outros não colaboram com nada. Algumas são verdadeiros “buracos negros” que absorvem a energia de tudo (e todos) ao seu redor. A medicina oriental tem uma boa explicação para esse tipo de energia  - porém não vem ao caso citar agora, o texto ficaria muito extenso. Em outra ocasião, eu escrevo sobre isso.

Essas pessoas que “atrapalham” geralmente sentem prazer em falar sobre desgraças. Reclamam da vida, dos outros, da sua saúde e justificam a sua preguiça com as mais variadas teorias. Colocam a culpa nos outros pelos resultados que colhem, pelas suas faltas e dores.

Também são péssimos motoristas, daqueles que andam nas estradas transitando na faixa da esquerda a 80 km/h (respeitando a legislação, porém...) e não deixam ninguém ultrapassar com a justificativa que estão “na lei”. Não tem pressa e não se importam com isso. E no trânsito vemos muito essa manifestação de pessoas que atrapalham. Outras estacionam seus veículos no meio de uma vaga que caberiam dois carros. Ou ainda não se importam de fumar e falar ao celular enquanto o semáforo está aberto e dezenas de motoristas estão esperando que o indivíduo arranque seu carro.

As pessoas que atrapalham são carentes afetivas ao extremo. Querem chamar a atenção dos outros, procurando serem elementos que “interferem” em algo na vida de alguém. Não tem consciência de cidadão ou mesmo de sociedade, onde vivemos em grupos para nos fortalecer e vivermos melhor e com mais segurança. São egoístas e não prezam pelo próximo. Pessoas que atrapalham também são terríveis parceiros afetivos, pois conseguem criar situações onde o outro acaba tendo que servi-lo como se fosse um escravo.

Pedem, pedem, pedem e oferecem muito pouco em troca. Também existem no âmbito familiar: são aqueles parentes que nunca te ligam, nem em aniversários, porém quando precisam de algo lembram seu número. Sim, geralmente as pessoas que atrapalham são interesseiras - pensam somente no seu bem estar.

O mestre Dalai Lama, no seu livro “A Arte da Felicidade” um dos seus primeiros Best-sellers narra que acredita que não existem pessoas más. Diz que a essência das pessoas é boa e por isso sempre trata a todos com piedade. Que os atos negativos de uma pessoa seriam fruto de péssimas experiências e estímulos negativos do ambiente que cresceram. É uma teoria e forma de perceber os outros, creio que seja a ideal. Infelizmente eu não consigo visualizar isso no dia-a-dia.

 Acredito que existem pessoas que são más em sua essência e demonstram isso quando atrapalham os outros. Quando não respeitam a liberdade do próximo e pensam ser o centro do universo. Pessoas que atrapalham pensam demais nos seus problemas, e em como solucioná-los, sem perceber que se pudessem se doar mais ajudando o próximo, estão se permitindo evoluir.

Atualmente existem males psicológicos das mais diversas espécies todos devidamente catalogados. Muitas das “pessoas que atrapalham” acreditam sofrerem de males dessas espécies.

Entretanto já identifiquei em vários indivíduos sintomas psiquiátricos sem os mesmos terem a patologia. E percebi que esses sintomas eram fruto do temperamento e forma de agir perante o mundo, sem generosidade. Sem cortesia. E a falta disso causa doenças sérias em longo prazo.

De nada adianta em campanhas do agasalho dar uma peça de roupa ou doar comida uma vez por ano e achar que está “fazendo a sua parte” e durante o ano sacanear as outras pessoas, diariamente.

Essa atitude de não ajudar os outros e não ser responsável por aquilo que  faz está incutido também na religião. Nos católicos, por exemplo, quando cometemos um pecado, basta ir se confessar com o padre e receber a penitência (ex.: 10 aves Maria) e você está livre para pecar novamente! Então o individuo faz várias sacanagens ao próximo durante o ano, se confessa e diz que se arrepende, é perdoado pelo padre e pode voltar a pecar? É isso que está implícito na penitência rápida.

Somos responsáveis pelo que fazemos na nossa vida e cada ato negativo repercute em nossas vidas.

Todavia existem as “pessoas que ajudam”. São pessoas educadas, generosas, alegres e que se dedicam para viver bem e deixar os outros a vontade. São bons cidadãos, respeitam as regras de trânsito colaborando com o andamento do fluxo na cidade e estrada, cedem um assento no ônibus para mulheres, respeitam a pressa do próximo cedendo lugar, evitam confrontos familiares e afetivos.

No Japão antigo existia uma classe de guerreiros chamada “Samurais” que significa “aquele que serve”. Viviam para ajudar e quando não podiam honrar esse lema não era mais necessário viver.

 Ajudar o próximo, ser prestativo, gentil e honrado é uma forma de homenagear o Universo. Veja bem, temos tudo na natureza em abundância e não nos é cobrado nada em troca disso. Temos ar, sol, terra, água, plantas, comida, mar, céu, corpo entre outros. Se o Universo nos oferece coisas em abundância qual seria a mensagem contida nisso?

 Ajudar o próximo é um exercício diário. É uma forma de limpar a sua “barra” com o Universo. No momento que ajudamos, estamos fazendo as energias fluírem e as coisas andarem como deveriam. Não deixamos o caos tomar conta porque não cedemos a impulsos mesquinhos e negativos. Quando ajudamos um amigo, um ente querido, um colega de trabalho, uma namorada (o) ou esposa (o) estamos colocando as coisas no lugar.

Infelizmente as vezes queremos ajudar os outros, oferecendo uma "mão" e logo, algumas pessoas querem o "braço". Queremos dar uma força, colaborar e logo vem os abusos. Por isso muita gente passa de "gente que ajuda" para ser "gente que atrapalha". Ajudar é ótimo porém quando o fazemos para gente que atrapalha, entramos num buraco negro. Onde nossa energia será sugada. 

Há tempos atrás estava lendo um livro de Neurolingüística chamado a “A Lei do Triunfo” e nele o autor coloca que podemos educar nossos próximos a serem pessoas mais prestativas. Uma das maneiras é quando uma pessoa te agradece um favor. Já notaram o que respondemos? Geralmente é assim “obrigado” e a outra pessoa “de nada”. Ora, de nada? Como assim? Quer dizer que você não fez esforço nenhum ou se dedicou um segundo que seja a ajudar? Não é verdade! Você fez algo para ajudar. Então o autor sugere o seguinte diálogo: “obrigado” e a outra pessoa “tudo bem, não fiz nada que você também não faria por mim”. É outra perspectiva mental e forma de colocar o seu esforço.

Felizmente podemos perceber que a nossa sociedade é construída no esforço de pessoas que “ajudam”. Essas pessoas foram políticos influentes, lideres espirituais, bons profissionais e indivíduos que são sempre lembrados com carinho. São heróis de guerra, atletas e pessoas que fazem a diferença onde estão. Fazem a diferença única e exclusivamente pela dedicação em serem pessoas que ajudam, sem atrapalhar.

E você? Está ajudando ou atrapalhando no seu mundo?
.

.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A Amizade é Tudo

Essa semana reencontrei uma grande amiga, uma pessoa que considero minha irmã. Passamos por muitas coisas juntos e em várias décadas, desde a adolescência. Por causa das vidas cheias de demandas ficamos um tempo sem nos ver e agora marcamos de almoçar juntos uma vez por semana, no mínimo. Admiro a superação dessa minha amiga, a dedicação do seu marido (também meu amigo a décadas) e a linda (e educada) filha que eles têm.

São pessoas do bem e que vivem pelo bem.

Incrível as afinidades que temos com algumas pessoas. Essa afinidade faz inclusive a gente gostar de coisas que geralmente não gostaria, como no meu caso, pagode. Isso mesmo. Sou fã de música boa e não importa o ritmo ou tendência e a minha amiga adora pagode. No caso, ela me passou uma música muito bacana que quero compartilhar com você e fala sobre a "amizade".


A Amizade é Tudo

Jeito Moleque

Um sentimento natural
Que acontece com razão
É Deus quem escolhe
Quem vai se dar bem
A caminhada é igual
Seguindo a mesma direção
Pensando juntos nós vamos além
Lágrimas na vitória
Sempre na derrota ou glória
É luz na escuridão
Somos um só coração
Sempre vivo na memória
Faz parte da minha história
Nada vai nos separar
A amizade é tudo!
É se dar sem esperar
Nada em troca dessa união
É ter alguém pra contar
Na indecisão!
Nunca se desesperar
Sempre ali pra estender a mão
Maior valor não há!
É feito irmão!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Karatê-dô: O Caminho da Verdade.

Artes Marciais são para poucos. Karatê-dô é para menos gente ainda. Nossa atividade nunca será para as massas, nunca terá abrangência como esportes coletivos e de formato Olímpico. Ainda que um dia o Karatê-dô possa ser olímpico e comparar-se com alguns esportes (o que seria maléfico a Arte Marcial Karatê) o mesmo não tem uma quantidade surpreendente de praticantes. São alguns poucos milhões de privilegiados, ao redor do globo.

E porque é assim?

O Karatê-dô já foi testado como Arte de combate por praticantes em guerras (Japão na II Guerra Mundial, ilha de Okinawa contra piratas, etc), já foi (e continua sendo) testado como esporte até os dias de hoje por diversas federações. Já foi inclusive transformado em atividade aeróbica com músicas e coreografias para queimar calorias.

De todas as formas de Karatê que existem no mundo afora acredito no Karatê como Arte Marcial pura, ou seja, defesa pessoal. Essa forma de Karatê é o que meu mestre e eu chamamos (e acreditamos) ser o futuro da nossa arte e que leva a algo maior: o Karatê como Terapia.

Quando uma pessoa se propõe a treinar karatê-dô ela terá contato com uma realidade diferente, um novo ambiente. A começar pela roupa, um kimono branco e uma faixa branca. Aquelas vestimentas significam pureza de espírito do praticante, disciplina e uniformidade entre os colegas. Nesse momento o cérebro e costumes do novo praticante começam a ser trabalhados. O mesmo terá que ter humildade para aceitar outras roupas e irá se despir de armaduras psicológicas modernas como: moda, celular, chaves, adereços. Será apenas ele (ou ela) e um kimono branco.

Já na prática o individuo irá se deparar com a verdade sobre o seu corpo: a falta de coordenação inicial, o desequilíbrio, o descontrole na respiração, a falta de força e flexibilidade, a vergonha perante os outros, a contração muscular excessiva entre outros fatores irão aparecer como desafios a serem vencidos pelo iniciante. Somente alguém com muita persistência e humildade poderá seguir enfrentado suas fraquezas em busca de uma evolução física nesses aspectos. Até aqui nada de novo, pois as mesmas sensações podem ser sentidas em outras atividades esportivas.

Então onde o Karatê se diferencia?

No intenção do combate. Toda a preparação física e adaptação a um novo meio se justifica, pelo combate. E esse é interno e externo. Quando um praticante repete dezenas de vezes um movimento até o mesmo ficar natural ao seu corpo e cérebro, poderá aplicar com convicção na hora da luta. Quando o praticante recebe pancadas no treino e sai com hematomas, ficará mais forte para uma futura pancada. Quando o praticante perde um combate ficará mais humildade e terá a oportunidade de aprender a tirar pequenas vitórias, mesmo na derrota (ensinamento de Malheiros Sensei). 

No kumite (e dojo) o praticante é levado a outro patamar. Ele não poderá fingir que não tem medo, orgulho, raiva, ansiedade, calma, receio e coragem. É uma situação que atavicamente provoca a sensação de vida ou morte ao praticante sério e dedicado. No caso, se ele for acertado muitas vezes e não conseguir se defender seria como se estivesse morto, na natureza. E se alguém não consegue se proteger perante um agressor - como irá viver? Com medo de tudo e todos. Achar-se-á um fraco, com uma baixa estima. Nesse ponto é que o karatê-dô terapia entra. Lidando com nossas fraquezas e orgulhos. Lidando com a nossa estima. Encarando quem realmente é e oportunizando revelações (ou insights, como é chamado na psicanálise – Satori, no budismo) sobre nós mesmos. Tenho notado isso na minha prática, em colegas e alunos as mudanças que a prática de karatê-dô proporciona.

Não há como fugir de mudanças consideráveis na sua vida quando você pratica essa Arte Marcial.

Sua auto-estima melhora sua forma de perceber o mundo ao seu redor se modifica e a sua mente e espírito te mostram Caminhos que você não conseguia ver antes.

Sua mente vai deixando o lixo para trás e esvaziando-se, seu espírito fica mais forte assim como o seu corpo. Você não precisa mais lidar com tantas inseguranças e percebe que se você se esforçar, irá conseguir o que precisa. Ora, no Karatê temos que repetir movimentos dezenas de vezes, por vezes, até centenas de vezes visando atingir uma forma adequada. O suor, sacrifício, dor, angústia, choro, alegria, sangue e hematomas se justificam na sua evolução e demonstram que se você faz isso no dojo, poderá fazer o mesmo na vida. Cair e levantar, e melhorar. Persistir.

Na última aula que tive com meu mestre (Malheiros Sensei) um iniciante perguntou para ele se a técnica explicada e que estávamos treinados não seria arriscada, no caso de um contra-ataque. Meu mestre respondeu: “- desde que nascemos estamos correndo riscos. Ainda no útero materno estamos expostos a riscos. Cabe a nós enfrentá-los.”

Se o Caminho do Karatê te revela coisas caberá a cada um usar essa força interna para promover as mudanças necessárias na sua vida. Muitos desistem do treino, pois a verdade sobre si mesmo é, muitas vezes, dolorosa. Quando você enxerga a verdade sobre a sua condição, fica difícil não tomar uma atitude. E isso o Karatê proporciona: a Verdade sobre você.

Isso foi bem mostrado na série de filmes “Matrix” onde foi oferecido ao personagem principal Neo uma pílula azul e outra vermelha. Tomando a azul, Neo voltará à sua ilusória e superficial vida; se optar pela pílula vermelha, conhecerá a verdade que está por detrás do mundo que julga ser real. Neo arrisca e opta pela pílula vermelha, conhecendo, finalmente, a complexa verdade por detrás do seu mundo de aparências. A partir deste simples enunciado entre a dicotomia do mundo real e do mundo ilusório ou aparente, levantam-se muitas leituras filosóficas e religiosas. Estas pílulas representam, também, uma metáfora da condição humana: o homem que se resigna de forma dogmática e aceita passivamente tudo o que existe à sua volta ou o homem que deseja libertar-se e conhecer a verdade absoluta das coisas e o acesso ao conhecimento?

O mesmo acontece em histórias como “Alice no País das Maravilhas” e na famosa “Alegoria da Caverna” do filósofo Platão. Conheço inúmeros praticantes que quando começaram a enxergar essa faceta do Karatê, se distanciaram do mesmo. E em outros momentos, voltaram a treinar, quem sabe para experimentar mais um pouco sobre eles mesmos, porém sem nunca concluir e evoluir totalmente na prática. Existem mil atividades físicas, mesmo formas falsas e picaretas de Artes Marciais, que não irão te direcionar ao Caminho da verdade.

Cada indivíduo tem a sua forma de ver o mundo. A sua maneira, cada um acredita em algo. Não sou contra as pessoas viverem mentiras sobre si mesmas, entretanto sou a favor das mesmas buscarem todas as opções, verdadeiras ou falsas. Quando alguém escolhe o seu Caminho, que o faça de forma consciente (e com convicção) e que seja feliz.

Eu já fiz a minha escolha, e você?



domingo, 27 de fevereiro de 2011

E a nossa Liberdade?

Livre-arbítrio é a crença ou doutrina filosófica que defende que a pessoa tem o poder de escolher suas ações. Porém do que realmente se trata? O contato mais comum que temos com essa expressão vem muitas vezes da religião, que utiliza a expressão como justificativa para a "não-interferência" de Deus nas nossas decisões. Seria então o livre-arbítrio uma dádiva divina que nos dá liberdade.

A filosofia, psicologia, sociologia, religiões e doutrinas estudam o livre-arbítrio como forma de compreender as ações humanas. Não vou me estender as várias concepções da nossa liberdade de escolhas, vou escrever sobre questões referente ao tema.

Se temos liberdade para optar por situações em nossas vidas onde fica a nossa responsabilidade perante as outras pessoas? família, amigos, trabalho, sociedade? no caso, desde o momento que nascemos já estamos compromissados com um meio social e expostos a um ambiente. Os espíritas diriam que cada pessoa nasce já na família que precisa para se purificar como espírito e acrescentam que nossos melhores amigos encarnam sempre próximos a gente, para nos ajudar nessa purificação da alma.

Então no caso a nossa liberdade já estaria comprometida, pois não escolhemos onde vamos nascer.

E quando tomamos consciência do poder das nossas escolhas? nesse momentos estamos cientes da nossa realidade e podemos mudar nossos destinos. Porém para muitos falta um atributo básico: coragem. Muitas pessoas gostam de viver escravas dos seus problemas e se acovardam em enfrentá-los. Buscam ajuda em conselhos, mobilizam de forma egoísta os familiares e amigos, para então, decidirem não mudarem nada. Ou partem para a reclamação e se tornam, com o tempo, pessoas amargas e sem vida.

Num exemplo clássico, indagado sobre a liberdade e o poder de escolhas, o filósofo Sartre* foi exposto ao exemplo de um soldado na guerra, no campo de batalha. Nessa situação, o soldado não teria escolha nem liberdade, pois na guerra deve matar o inimigo - é a sua vida em jogo. Sartre explicou que não, que mesmo na guerra o soldado tinha poder de escolha e muitos soldados morrem por não conseguirem matar o inimigo. É uma situação extrema, porém ainda assim temos liberdade para escolher mesmo que as consequências sejam graves para nós.

Na nossa sociedade temos convivido com uma demanda imensa de informações, e, por vezes, nos vemos "escravos" da engrenagem social ao nosso redor. São informações morais e éticas que nos conduzem a agir de determinada maneira, como por exemplo: instituir família, casar, ter filhos, ganhar dinheiro, comprar carro, casa, ser feliz, envelhecer e morrer. Dentro disso tudo, temos algumas coisas que enriquecem nossas existências e passam despercebidas.

Podem ser pessoas que conhecemos, experiências que deixamos de viver, opções que deixamos de escolher ou limites que nos colocamos para tudo. Então não estamos utilizando a nossa liberdade da melhor maneira, somos prisioneiros de nós mesmos. Porém não seria isso uma opção? não seria isso o uso do nosso livre arbítrio?

No Budismo temos o Karma é a palavra para "ato" ou "ação" e, nesse sentido, usa-se a palavra em textos mais antigos para ilustrar a importância de desenvolver atitudes e intenções corretas. Considera-se que por gerar carma os seres encontram-se presos, e portanto, a última meta da prática budista é extinguir o carma. Então, para o Budismo, estaríamos determinados na nossa vida e escolhas. Seria o equivalente a terceira lei de Newton da física: "Para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário".

De forma concreta o que podemos fazer com o nosso Livre-arbítrio?

Acredito que podemos ter consciência dele, maturidade para aceitar que o nosso poder de escolha diz respeito somente a nós e agir em prol disso, sem colocar a culpa das nossas escolhas nos outros ou no destino. A única certeza que temos é que estamos vivos e que o nosso presente é aqui e agora, e que as nossas ações, são importantes para gerar tanto o bem, como o mal em nossas vidas.

Podemos evitar agir de forma covarde com nós mesmos e com os outros, criando expectativas de coisas que não irão ocorrer ao acaso, ou ainda acreditar, que podemos mudar nosso presente a partir das nossas ações reais em busca de uma outra realidade.

São Tomé, um dos apóstolos de Jesus, em uma passagem da bíblia (João 20:24-29) duvida da ressurreição de Jesus e diz que precisa "ver para crer" as chagas de Jesus.  O autor Roberto Shinyashiki cita o exemplo em um dos seus livros e o transfere para o campo da administração, refazendo a frase que fica assim: "crer para ver". Ou seja: temos que acreditar que a nossa liberdade de escolha é significativa - para ver algo acontecer.

Sem convicção e ação em prol disso nada poderá se realizar de positivo em nossas vidas.

Nem sempre iremos acertar, porém não podemos deixar de tentar. Não podemos nos omitir perante a nossa própria existência, permitir injustiças com o próximo ou nos alienar de nós mesmos. E para isso já temos a ferramenta básica dentro de nós, basta ter a vontade e coragem de usá-la. Com certeza toda a vez que tentamos com coragem, verdade, razão e amor os resultados são maravilhosos.

Falar nisso...creio que esse assunto terá (e merece) várias continuações.




Para saber mais sobre Livre-arbítrio: http://pt.wikipedia.org/wiki/Livre-arb%C3%ADtrio

* Jean-Paul Sartre Filósofo francês, nascido em Paris, em 1905, falecido em 1980. Sartre destacou-se não somente com as obras filosóficas, mas, sobretudo com as literárias, foi inclusive agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, em 1964, após a publicação de As Palavras. Porém recusou-se aceitá-lo por entender que seria reconhecer que os juízes tivessem autoridade sobre sua obra. (fonte: Professor Rodrigo)

domingo, 16 de janeiro de 2011

O verdadeiro Mestre



Gosto de afirmar que sou um cara de sorte. De certa maneira, todos somos. O universo nos premia diariamente com elementos que as vezes não percebemos, ou não valorizamos. Na pressa do dia a dia deixamos passar muita coisa boa da nossa vida. Claro, existem as dificuldades porém elas promovem algo, uma mudança ou experiência necessária para o nosso crescimento.


Eu tenho a sorte de ter encontrado um mestre de karatê-dô que sempre me ensina detalhes significativos da Arte Marcial e que consegue fazer a relação da nossa arte com a vida. Além disso, com a sua experiência, passa valorosos conselhos sobre relações, vida, amadurecimento entre outros. Realmente tenho muita sorte.

Já tive muitas dúvidas desde que comecei a dar aulas de karatê-dô e pude recorrer ao meu mestre. Geralmente dúvidas técnicas, pedagógicas e de relacionamento. E tenho um texto guardado, com muito carinho, que sempre que me questiono, reviso. É uma referência, entre muitas que tenho do meu mestre. Vou tomar a liberdade de compartilha-lo com vocês, espero que gostem e entendam. Oss.

" Nossa missão é mostrar o “Caminho”.  Eles serão melhores ou piores em razão do que efetivamente são.  Mas isso não importa, pois ser melhor ou pior pode ficar resumido somente a uma questão meramente técnica ou estética, o que significa muito pouco.  O que verdadeiramente importa é a formação do ser humano e do cidadão.  Não faz diferença que ele não conseguir ou não souber chutar acima da canela.  Alguns, por vantagem genética, poderão executar a técnica, outros não.  Deverás ter mais dedicação para com aqueles que têm dificuldades, mas ainda assim persistem.  Esses são mais valiosos.  Não deves deixar-te envolver em demasia pelos que fazem com facilidade.  Significaria um envolvimento superficial, apenas estético ou técnico.  É muito pouco.  Preocupa-te e exige daqueles que querem ser exigidos.  Eles poderão até reagir, mas no futuro serão gratos.  Jamais exija mais do que alguém pode dar, pois serás o derrotado pela incapacidade do outro. Terás que intuir o limite de cada um.  Mas também não exija menos.  Diga-lhes que o treinamento deve ser duro, porque estão sendo preparados para a vida, que é dura.  E diga-lhes que não estás muito preocupado com o resultado técnico, apenas secundariamente.  Teu propósito será sempre aquilo que ficar gravado na alma de cada um."


Sensei Fernando Malheiros Filho


sábado, 15 de janeiro de 2011

O poder da Convivência.


Estou com um familiar doente, com problemas na coluna. Então me deparo com esse momento, a visita ao ente querido. Muitos me consideram extrovertido, conversador e até bem-humorado. Porém nem sempre sou assim.

De fato, me educo para ser assim, agradável com as pessoas. Quando criança era tímido e depois me tornei um terror, como forma de superar a timidez. Com a maturidade aprendi a equilibrar a minha forma de lidar com os outros. Falta muito ainda, todavia estou no caminho. Creio que todos somos assim de certa maneira, fora de casa somos "uma parte" alegre da nossa personalidade.

Haa...e a visita ao ente querido? sim, sim. Pois é essa situação é a mesma de quando vamos a um velório e não sabemos o que dizer ao amigo que está no auge da dor. Lembro das palavras da minha mãe, nessas situações, que diz:

"- Ninguém nunca se arrependeu de falar de menos".

Na minha visita não falei nada. Sentei-me próximo e me fiz presente. Estive a disposição por esses dias. Passei várias vezes na casa para perguntar se precisavam de algo e me manti convivendo com o problema de forma silenciosa. E senti o poder que a convivência exerce nas pessoas. Quando convivemos com alguém e queremos ajudá-lo, por vezes procuramos uma solução para o problema e nos angustiamos de não acha-la. A verdade é que somente o fato de nos fazermos presente para alguém significa fazer parte da solução. Já deve ter acontecido com vocês, serem apenas ouvintes de alguém e não dizer nada mais que simples "sim", "pois é", "que pena", "é verdade" e a pessoa no final da conversa (ou monólogo) te agradecer por ter ajudado. É novamente o poder da parceria, da convivência.

Tenho esse costume, com os mais velhos, de sentar próximo e me fazer "apenas" presente. Com carinho e coração aberto.

Parece incrível mas tem gente que não consegue fazer isso. Que só sabe agradar o próximo através de presentes, geralmente comida e bebida. Não consegue simplesmente sentar e se fazer "presente", não entende o poder que uma boa parceria exerce nas pessoas. Nada contra dar presentes, claro! É uma forma de agradar e reconhecer o próximo, uma fora de demonstrar carinho. Porém conviver supera qualquer presente.

Por vezes, em relacionamento é o que sustenta uma relação: a parceria. Ter uma pessoa de confiança perto e que curta estar ao seu lado, independente do que você faça. Casais mais agitados ficarem procurando programação para o fim de semana, pois não suportam "ficar sem fazer nada". Não aguentam o vazio que não está fora e sim dentro deles.

A convivência, apesar de não ser tão natural para algumas pessoas, é algo salutar. É necessária e fundamental para uma boa saúde. Dinheiro, poder, títulos, status nada disso preenche tanto como uma boa e sincera companhia. Conheço muita gente rica que não cultiva amizades sinceras e não pode comprar a sensação de uma boa companhia.

O gaúcho tem por hábito essa parceria. Criou até um artefato para justificar a convivência sem muita conversa que é a roda de chimarrão, algo incrível. Então quando você quiser visitar alguém querido, não precisa se preocupar em justificar a sua presença, apenas conviva o tempo o suficiente para ele/ela sentir o seu carinho e admiração. Algumas ações humanas são silenciosas e quase não exigem esforço e levam muito conforto para quem recebe e a convivência é uma dessas valiosas ações. Se pensarmos os melhores momentos que vivemos foram relacionados a convivência com alguém.

Como disse minha mãe no Reveillon de 2011: " - desejo três coisas para nós: conviver, conviver e conviver".
.
.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Queimar ou Bronzear?

Na praia a gente se depara com um universo novo de hábitos. Tenho notado que um dos hábitos está mudando, o tal "bronzear".

Talvez seja uma consciência dos malefícios que o sol forte, mesmo com protetor causa a pele ou talvez seja alguma coisa da moda. Tenho notado que poucas mulheres em Florianópolis estão com aquela cor marrom ou dourada forte, do sol. No caso, todas as pessoas que conheço de meia idade, que sempre se bronzearam de forma quase obssessiva, são as pessoas mais enrugadas que conheço. O sol forte e a longa exposição ao mesmo destrói a pele e causa um efeito estético inverso do almejado, no futuro. Porém as pessoas gostam de pensar apenas no "presente" em algumas coisas. Penso também que pode haver uma idiossincrasia de pessoas que se bronzeam demais com a intenção de quando voltarem para a cidade, a necessidade de mostrar que "foram a praia". Ridículo, ainda assim, bem provável.

Minha opinião é que pessoas bronzeadas, em excesso, estão fora da moda. É brega e ultrapassado. Me recordo, que alguns anos atrás, inclusive haviam pessoas que frequentavam e investiam dinheiro no tal bronzeamento artificial (aquele que poderia dar câncer de pele) antes mesmo de ir à praia. Terrível. Tenho observado na televisão e cinema, e os grandes personagens e atores, não são mais bronzeados e sim brancos e quase pálidos (no caso, da séria Crepúsculo) e as mulheres mais lindas do show business estão com a pele bem cuidada e com a cor natural (branca).

Ficar levemente bronzeado de exposição moderada e protegida ao sol é algo bacana. A outra face disso é algo totalmente prejudical e sem sentido, coisa de gente que não se informa e fora de sintonia com uma nova realidade climática e de consciência sobre saúde.

Como diria aquele vídeo feito por uma agência de propaganda americana como mensagem de fim de ano aos seus clientes (DBB): "o único conselho certo é: use protetor solar".


domingo, 2 de janeiro de 2011

Karatê-dô Infantil


Sou instrutor de karatê-dô para crianças e adultos. Sempre que preparo uma aula para as crianças, procuro trabalhar aspectos lúdicos, de exercícios, brincadeiras e técnicas onde serão envolvidos musculaturas, equilíbrio, força, explosão, percepção espacial entre outros. Tenho um enorme prazer em me envolver com as crianças através do karatê, que é um poderosa ferramenta de comunicação com as crianças.

Me impressiono com o avanço dos pequenos durante os meses. Avanços físicos, mentais e psicológicos. Uma criança é uma esponja para absorver conhecimento, com potencial ilimitado. Alguns tem mais facilidade de praticar o karatê e enfrentar seus desafios e outros passam por dificuldades.

A minha proposta inicial com as crianças é desenvolver a auto-confiança, produzir nelas a certeza que se elas se "esforçarem" com disciplina podem conseguir tudo na vida.

Ajuda pode existir, porém sem esforço pessoal das mesmas, não haverá retorno na prática, ou na vida.

Procuro não me apegar a alunos, o que com as crianças é uma tarefa um tanto difícil. Já tive alunos que por uma razão ou outra pararam de treinar. Geralmente por falta de vontade dos pais em leva-los ou de tira-los do mundinho de proteção que se cria ao redor de algumas crianças. Sinto a perda, pois as aulas são preparadas para todos, ainda assim, visando trabalhar a dificuldade de um pequeno indivíduo sem constrange-lo perante os demais. Me sinto responsável por eles e não fujo dessa tarefa, pois cabe ao professor de karatê "auxiliar " na educação do pequeno, então sinto quando um trabalho se interrompe com aquele potencial em formação da uma criança.

Realmente o karatê não é para as massas, é para poucos.

Ainda assim sou feliz porque tenho aprendido muito com os pequenos, enxergo o crescimento pessoal e retorno fora do dojo em aspectos que dificilmente poderíamos trabalhar em outras atividades. É o que chamamos de "karatê terapia" onde o físico e a mente são trabalhados em conjunto, visando o fortalecimento do aluno.

Uma dessas pequenas surpresas foi com uma aluna de 5 anos. Ela tinha problemas respiratórios (asma) e está com a personalidade em formação. Teve uma imensa dificuldades nas primeiras aulas, pois mal conseguia respirar, um linda e frágil menina entrando num universo novo onde seria exigida justamente na sua maior fraqueza. Um enfrentamento difícil para um adulto, imagine para uma criança e ainda mais menina (pois poderia optar por simplesmente brincar de bonecas). Lá estava ela, a pequena guerreira.

A cada aula era uma conquista. A cada aula procurava desenvolver nela sua energia interior (Ki) para fortalece-la e aumentar sua independência da asma. Por vezes, pensava que ela iria desistir, algumas vezes senti que ela iria chorar por algum acidente ou por não poder participar de todas as brincadeiras e atividades. Se eu pudesse, choraria junto. Porém o choro não é uma opção para lutadores.

Pois bem, após alguns árduos meses ela superou o problema respiratório, corria melhor e mais rápido que os outros e executava as técnicas com firmeza e concentração. Certa vez, fui fazer um frente a frente com ela pois faltava um aluno. Ambos em kamae, eu no alto dos meus 1,80 m com 93 kg e ela com os seus 4 para 5 anos, pequena altura e peso. Ela parou na minha frente, em postura de kamae, olhou nos meus olhos e não tirou os olhos de mim, nem piscava. Não estava com medo, tampouco demonstrava nenhum esboço de fraqueza. Me atacou como deveria, no tempo certo, com kime e vontade de um adulto. Mostrou que era capaz, não para mim porém para si mesma. Estava pronta.

Após um tempo ela fez exame de faixa onde foi excelente. Passou com 5 anos para faixa amarela, a faixa da cor do ouro. No primeiro dia de aula após o exame, ela chegou no dojo e pediu para fazer o kata Heian Nidan (o kata de faixa amarela para laranja). Eu disse para ela que era cedo, pois não havia ensinado o mesmo para ela. Ela insistiu. Fiquei intrigado e conversei com o pai dela, também karateka e também responsável por tanto sucesso com a menina karateka. Ele disse-me que após o exame ela começou a treinar sozinha através de desenhos que havia visto na sua apostila e imagens de livros.

Bom, então pedi para ela me demonstrar o kata até onde ela sabia. Eis que aquela antes frágil figura começou o kata com maestria, cumprimentando e anunciando o kata e executando movimento por movimento chegando ao final sem pestanejar, com alguns pequenos erros, porém no conjunto de forma correta. Supresa total!

Lembrei do meu mestre quando me falou a um bom tempo atrás, eu estava em dúvida sobre dar aulas ou não, então ele me disse:

" - as vezes a gente escolhe o Caminho*, as vezes é o Caminho que nos escolhe."

Pois bem, o Caminho havia escolhido mais uma pessoa, minha menor - e anteriormente - mais frágil aluna. Aprendemos todos a cada aula, com a certeza que o karatê vai além do dojo, vai além da técnica e vai além das nossas fraquezas físicas ou psíquicas. E a cada criança que trabalho, em cada novo pequeno aluno se renova a felicidade de estar fazendo a coisa certa.

Oss.
.
* Sobre Caminho, temos o entendimento que este está baseado no Budô. Saiba mais no link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bud%C3%B4
.

.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Uma história de amor...

Vai um vídeoclip (ligue o som) um pouco longo, porém vale a pena ser visto. Uma história de amor, com um final inusitado...O amor pode acontecer, quando, com a pessoa e da forma que menos se espera.



Marcas & marcas


Primeiro post de 2011, sinto que tenho que escrever sobre um assunto relacionado a Propaganda. Tenho trabalhado na área a algum tempo, estudo o mercado, as mudanças e nuances do design e as tendências de comunicação do mercado com o público. E fico pasmo com algo que eu chamo de o "fim das marcas" no Brasil. Estamos passando por um processo de transição de mercado imaturo de consumo para um mercado com personalidade própria.

E o que isso acarreta? milhares de novas marcas "emergentes".

Podemos perceber em anúncios de revistas, em passeios no shopping (cada vez mais difíceis de se transitar), na internet e no comércio em geral o surgimento de novas marcas. Novos produtos. Novas propostas de vender o mesmo produto de sempre: roupas, carros, estética, imóveis, bens de consumo, etc. E o que isso afeta o mercado publicitário? mais trabalho para nós. Opa, que bom!

Porém o que está acontecendo é uma constante desvalorização da propaganda e design de marcas. Os empresários muitas vezes não possuem maturidade empresarial e estão apostando na sua nova marca com uma referência visual amadora. São criados nomes estranhos, sem sentido. Identidades Visuais sem fundamento, com uma referência amadora. Marcas que não marcam, feitas por pessoas não qualificadas.

É a banalização das marcas. E num primeiro momento esses produtos e serviços vendem. Porque? o brasileiro gosta de novidade, é ávido por isso. Então uma nova grife de roupas de surge logo vende as pencas e passado uns dois anos já está ultrapassada. Então o novo empresário cria uma outra loja com outra marca e assim vai. Ou insiste na sua marca com um novo desenho feito pelo sobrinho que fez um curso de informática e sabe desenhar no computador. E os consumidores embarcam e confiam em marcas que não prezam nem pela qualidade do seu nome, quem dirá pelo seu produto.

Não é um fenômeno somente brasileiro. Na Europa está acontecendo o mesmo, porém com outro padrão. Lá as marcas famosas e tradicionais do Brasil estão invadindo o mercado, mostrando toda a sua qualidade.



É o caso da Natura, que fabrica produtos cosméticos e não possuem loja física no Brasil, vendendo através de catálogos e representantes. Já na França, em Paris existem lojas físicas da Natura - um forma de patrocinar a marca e sua expansão na Europa. Pessoal de visão. Na inauguração da primeira loja Natura em Paris estava a Marisa Monte que teve sua turnê patrocinada pela Natura, uma inovação no mercado fonográfico.

As pessoas buscam uma identidade durante suas vidas. Buscam fazer parte de algo, de um conceito, um estilo de vida. Marcas que duram são as marcas que trabalham no campo da emoção do consumidor. São marcas que além de oferecer qualidade podem oferecer uma proposta de consumo com qualidade.

Já as marcas descartáveis são feitas para saciar uma vontade de compra pelo impulso e não prezam pela qualidade, tampouco pela estética visual da empresa. Quem perde é o mercado publicitário e o consumidor, que acaba sendo engando constantemente por um fraco apelo visual dessas marcas emergentes, que poluem o mercado com fracas propostas de consumo. Empresas que entram no mercado disputando a guerra de preços, sem uma proposta visual e empresarial decente estão marcadas para falir. Não se disputa sempre o menor preço (exceto se for uma multinacional). Estamos na era da informação, hoje a disputa deve sempre ser nos quisitos "proposta" e "qualidade".

Vender uma idéia, um conceito de consumo.

É o caso do Supermercado Zaffari. O slogan: " Economizar é comprar bem" criado pelo excelente publicitário, escrito e poeta Luiz Coronel (nascido em Bagé e portoalegrense por opção). Ou seja, o slogan diz claramente: " olha, somos mais caros porém você irá ter uma ótima experiência de consumo aqui ". É o que acontece, os consumidores vão ao Zaffari comprar o mais caro porém querem ser bem atendidos e terem os produtos que procuram.

Nada contra marcas novas. Porém quer jogar? esteja preparado, com uma boa proposta e qualidade na apresentação. Atento para o equilíbrio da "forma x conteúdo". É isso que um bom publicitário podem oferecer ao seu cliente. O empresário ou profissional liberal não é obrigado a saber tudo de tudo. O empresário pode ter um excelente contéudo porém com uma forma de se apresentar horrível e vice-versa. Quando se alia forma e conteúdo de qualidade, então temos um caso de sucesso no mercado. Isso serve para marcas e para todos nós, como pessoas.

A maturidade de um mercado é o reflexo da maturidade de uma sociedade, quanto mais profissional as empresas forem, valorizando suas marcas, mais o consumidor sairá ganhando e o mercado como um todo. Se consumir é necessário ou não é outra história - porém certamente somos consumidores em alguns momentos e cabe a nós escolher a forma de consumir e de quem vamos comprar.

Então na hora de consumir esteja atento, como consumidor e empreendedor. Marcas (e pessoas) que se valorizam possuem mais valor que seu patrimônio físico, com certeza.

Conheça um pouco do nosso trabalho em: http://alefernandess.blogspot.com/

Veja a inauguração da loja Natura, em Paris: