domingo, 11 de fevereiro de 2018

O desapego como terapia


Olhando ao nosso redor podemos perceber a quantidade de coisas inúteis que temos. Algumas são memórias de um momento, de pessoas queridas outras são peças de decoração e mais adiante temos objetos sem necessidade alguma em nossas vidas. E assim nos relacionamos também com sentimentos, pessoas, neuras e manias que possuímos. A que custo nos levou a consumir o que não precisamos?


Como eu escrevi antes, isso vai muito além dos bens materiais.

Viver de forma simples não é viver de forma simplória, já diria o mestre Cortella (veja vídeo abaixo). Alimentamos nossas ansiedades e frustrações com bens materiais e temos isso por hábito que está enraizado na nossa educação. Infelizmente isso se estende aos nossos sentimentos, alegres ou tristes. Machida Sensei diz que devemos procurar não se apegar a sentimentos como derrota ou vitória extrema. Sim, pois acabamos por nos deixar levar por essas emoções o que cria picos de euforia e tristeza em nossas vidas. E de forma desnecessária.

Uma parte do nosso apego às coisas tem haver com o ego. Precisamos de ferramentas que nos façam sentir mais queridos, poderosos, bonitos e aceitos. Todavia acabamos nos deixando levar por esse traço da nossa rotina e criamos venenos de conduta. 

Inevitavelmente iremos nos apegar a outras coisas e condutas e isso irá nos atrapalhar nas relações profissionais e pessoais. Dentro disso, saliento que escrevo baseado nos meus próprios fracassos (que são muitos e bem mais frequentes que as vitórias).

Criar o desapego é uma construção diária. Pode ser na ação de doar algo. Pode ser pedindo desculpas por falhas, por mudar um hábito que lhe faz mal ou por dedicar alguns minutos para ouvir estranhos e – pasmem – até pessoas que você ama.


Para os japoneses, parte de ser simples e desapegado, tem haver com a organização. Quando temos bagunça ao nosso redor ou nossos pensamentos estão poluídos a ponto de nos fazer perder o foco nas graças que temos e no nosso equilíbrio, perdemos o que é preciso: nossa paz interior.

Ninguém é monge ou almeja alcançar o nirvana nessa encarnação. Alguns pensam estar vivendo de forma abundante, apegados à matéria e emoções. 

Outros querem melhorar como seres humanos, colaborar nessa existência com algo maior e deixar um legado, uma lembrança, para tal o ideal é livrar-se do que lhe tranca o Caminho. Entregar para o Universo o que não tem mais uso, material ou abstrato, ambos - em excesso - podem fazer parte ou não do que você é. 







A difícil convivência com pré-julgamentos.

 Vivemos numa sociedade recheada de informações, em nenhum período da história humana tivemos tantos dados disponíveis. No meio de tanto bites de conteúdo, nos deparamos com redes sociais que conectam pessoas através de perfis e notícias sobre as rotinas alheias. Dentro disso, era de supor que algumas barreiras iriam cair e o mundo ficaria mais harmônico. 

 Não esta acontecendo. 


Pela necessidade de velocidade em tudo que se faz, de forma sintética e sem filtro, estamos prejulgando mais o próximo. Não temos mais tempo tampouco tolerância para tentar conhecer quem está próximo a nós. Logo procurarmos encaixa-lo num estereótipo de fácil entendimento e aceitação. Ou em muitos casos, rejeição. Alguns mais simples e antiquados, porém não menos cruéis são os julgamentos sociais. Onde classificamos pessoas pelo sucesso financeiro, carro, bens e quantidade de exposição nas redes sociais em suas viagens ou lazer. Isso explica porque tanta gente finge ser ou viver coisas na internet, para erroneamente, ser aceito. 


Outro objeto de prejulgamento perverso são os “terapeutas de plantão”. Pessoas tão fracassadas e inseguras que cometem o absurdo de rotular outros com diagnósticos de doenças psiquiátricas complexas como esquizofrenia, bipolaridade, déficit de atenção, depressão, anorexia nervosa, transtorno obsessivo compulsivo, psicopatia entre outras. Conversando com amigos psiquiatras e psicólogos, ambas as áreas envolvidas nos estudos da psique, tive a noção do grau de dificuldade mesmo após anos de terapia de um paciente para se diagnosticar precisamente uma patologia. Então em leituras mais aprofundadas sobre o assunto, me deparo com os mesmos relatos da dificuldade em se chegar a um consenso em diagnósticos avançados. E pasmem que muitos leigos já rotulam familiares, amigos e colegas de trabalho com esses "precisos" diagnósticos. 

Então temos prejulgamentos mais básicos e comuns como: gorda, magra, alta, baixa, lerdo, ligeiro, tagarela, caladão, mal humorada, exibida, etc. Estes são simples entretanto tão ruins quanto e tão infantis que atualmente são tratados já nas escolas infantis, com o tal "bullying". 


 Quando julgamos alguém nunca levamos em consideração a possibilidade de estarmos errados. Ou a história desse alguém. Lembro-me de um relato do psicólogo que acompanhou o DALAI LAMA por anos em viagens sobre a raiva que sentia de algumas pessoas. E de como o mestre Lama iluminou sua mente no sentido de conhecer primeiro a história de alguém antes de julga-lo. Facilita a aceitação de algumas condutas que não entendemos, e quiçá, o perdão de faltas dos mesmos para conosco. O fato das pessoas não agirem exatamente como nós ou dentro das nossas “expectativas” não significa que estas são piores ou melhores que nós. 


A conduta de prejulgar alguém dentro do nosso quadro de seres imperfeitos, não nos torna melhores que outros. Nos torna apenas mais superficiais em relações, nos move para uma forma maligna de juízes das falhas humanas. Sobre isso, quem julga duramente, um dia será julgado tal como. Para evitar isso, cabe nos importarmos realmente com o próximo a ponto de enxergamos sua existência exatamente como ela é, sem rótulos e respeito às individualidades. Difícil sim, mas não impossível.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O passageiro

Sou um viajante. Ainda assim, não sou daqueles que exalta os poderes de viajar. Acredito que a melhor viagem é a interna, claro, ciente que visitar outras paisagens desperte a mente e ideias. 

Sair da zona de conforto da sua casa.

Ser um passageiro é um dos momentos aonde nos deparmos a conviver com estranhos num pequeno espaço. E isso não é fácil.

Como ensinar a alguém a ter educação num ambiente restrito? Imaginem que temos problemas em cidades, num espaço bem maior. Num avião ou ônibus os vicíos de conduta se agravam.

Primeiro o hábito de falar alto. Depois o de escutar música em fones de ouvido no volume máximo. Depois comer coisas com cheiro. Roncar. Outros mais além do pior que é fumar. Esse im mal mortal, onde percebemos a fraqueza de alguns, a cada parada uma descida para um fumo. Ou pessoas que se trancam no banheiro para fumar achando que o ar condicionado do espaço não irá espalhar o cheiro pelo resto do ambiente. Ledo engano.

Usar o espaço público com bom senso é uma arte, de treino diário. Viajar é uma oportunidade de treinar a nossa tolerância e aprender o que não fazer para o próximo. Louvável quem viaja e passa desapercebido. Boa viagem!

quarta-feira, 26 de março de 2014

A educação dos filhos nos tempos atuais...

Quino, o cartunista argentino autor de Mafalda, desiludido com o rumo que está tomando o mundo, quanto a valores e educação, expressou seu sentimento a respeito...










A genialidade deste artista produziu uma das melhores críticas sobre a educação dos filhos nos tempos atuais...

terça-feira, 25 de março de 2014

A rede - que pega o seu peixe - social.


Sou cliente da internet desde a sua aparição no Brasil, graças a um ambiente familiar favorável a tecnologia e novidades da área. No Rio Grande do Sul o primeiro provedor foi um órgão do estado, a PROCERGS. Quase não existiam sites para se visitar e usávamos apenas e-mails e precários chats para nos comunicar com uma pequena quantidade de usuários que já tinham internet.  Após surgiram outros pequenos provedores, Nutec, depois Nutecnet, após o ZAZ e finalmente, o Terra. Instalava-se a internet, ainda não para todos.


Minha monografia na faculdade de Comunicação Social – Propaganda – foi sobre a internet e seus caminhos. Isso em meados de 2001 (13 anos atrás) onde estudei a fundo os autores que falavam sobre essa nova mídia e já elaborávamos, todos nós, teorias a respeito.

É fato que o formato de hipertexto (links que você clica numa palavra e surgem outros conteúdos) já existia, em livros, a centenas de anos. Ainda que essa necessidade de nos comunicarmos e formarmos pequenas “tribos” faz parte da nossa cultura e sociedade.

Tenho plena consciência do caráter volátil das tendências na internet. Empresas nascem e morrem a todo o momento nesse ambiente virtual, e o que é moderno hoje (Cult), torna-se ultrapassado e brega em pouco tempo. É assim que tem que ser na tecnologia de informação.

Uma das características da internet que a tornam tão atraente é a capacidade de interação do usuário. Após décadas com uma inovação chamada TV, onde apenas recebíamos informação em massa e bem mastigada, como se estivéssemos vendo o mundo através da tela (na realidade estávamos dentro de uma caverna, sem olhar para fora - sabia mais em "O mito da Caverna") chegamos ao ponto de termos interatividade. Trocávamos informações.

O novo Orkut - e agora já antigo, Facebook


O Artista Andy Warhol, um ícone do século XX disse em 1968: “- no futuro todos serão mundialmente famosos por 15 minutos”. Através da rede social, muitos acreditam que são famosos por mais que quinze minutos! Massageiam o ego e procuram tapar buracos da sua existência. E da sua vida. Mostram apenas o lado bom do seu jardim e a demagogia é liberada. Atualmente a rede social não é apenas uma ferramenta de comunicação e troca de informações, infelizmente se tornou uma perigosa fogueira de vaidades. Esse um dos sete pecados capitais, o orgulho ou vaidade do Latim superbia, vanitas. Como disse Al Pacino num filme que representava o demônio: "- o meu pecado favorito!" 

Tomei a decisão de reduzir o uso dessa rede social. Ainda estou lá, tenho esse recurso quando necessário. Quero preservar o contato com pessoas que me são queridas e estão longe fisicamente.

Ainda assim, cansei de tanta babaquice sobre política (como se algum partido ou político tivesse a solução para o Brasil sem uma reforma política), sobre futebol e Copa do Mundo e seus abusos, sobre filosofia de pára-choque de caminhão (alguns caminhões possuem mais sabedoria do que muitas frases prontas de perfis). 

Lamento para quem – como eu fazia – utiliza a rede social todos os dias para se comunicar apenas. Estamos expostos a uma falta de bom senso em postagens. Ainda assim, podemos filtrar ao máximo as amizades e o que queremos ver ou não, entretanto, estamos à mercê de bobagens sem fim. Tolerância, diria o mestre Dalai Lama. Paciência, diria nosso querido Papa argentino.


A superficialidade de conteúdo é uma tendência mundial na internet. Aliado a isso, algumas más características da nossa cultura brasileira (tão rica em outros aspectos) adiciona a futilidade a rede social. As pessoas antes de postarem algo são incapazes de pesquisar no Google a respeito. Não pensam e apenas agem. Estamos consumindo coisas sem sentido e usando uma falsa comédia, muitas vezes, de mau gosto para preencher linhas do tempo. Estamos curtindo gente, que de fato, não conhecemos.

Decidi dedicar qualquer tempo livre a ler mais revistas e livros. A conversar mais com pessoas. A pensar ou simplesmente – pasme - não fazer nada. Esvaziar a mente, apaziguar os pensamentos e focar na vida que ocorre fora da vida dos outros. Ou também, trabalhar mais. Criar mais soluções e fazer render o tempo. Vejam bem: não é falta de interesse na vida de amigos ou familiares que são importantes. É evitar a decepção com amigos e familiares sem conteúdo e com pensamentos pré-conceituosos e materialistas.

Ser famoso por quinze minutos não é importante. Fazer a diferença da vida de alguém é que realmente importa. Fazer a diferença na vida real (não virtual) e ter um retorno ao vivo. Por exemplo, Na nossa última ação social, conseguimos doar brinquedos para crianças carentes no fim de ano. Essas crianças não estavam na rede social, ninguém queria saber delas, mesmo elas estando próximas das suas casas. Elas não são importantes e não merecem “curtis” de ninguém.

Fomos lá e fizemos a diferença.

Numa caminhada descontraída pela cidade, passei por uma família revirando um contêiner de lixo. Uma criança grita: “- professor! Professor!”. Eu me viro e não reconheço seu rosto. Pergunto onde eu dei aula para ela, a pequena diz meu nome e mostra o brinquedo que recebeu há alguns meses atrás. O irmão, um pouco maior, vem falar comigo. Os pais se aproximam e me agradecem. Todos sorriem. Eu com tanto e eles com tão pouco. Saio do encontro revitalizado. Em tantos anos de internet ainda não podemos encontrar esse tipo de sensação fora da vida real. Claro, se temos uma vida digna de ser vivida, também podemos usar os recursos de uma rede social. O difícil é usar com sabedoria e alegria, sincera.

Por isso, viva e torne a sua vida mais real. Torne a sua vida mais colorida e cheia de nuances. Interaja com a natureza e com pessoas que lhe acrescentem. Desafie-se. Rompa seus pré-conceitos e evite valorizar o aspecto material ou a aparência das pessoas. Seus troféus, medalhas e conquistas não dizem muito sobre o seu caráter. Certificados de papel não deixam um legado para as próximas gerações. Viva com fé. Duvide das suas verdades e de pessoas que não praticam, apenas mandam ou vivem de passado e falsas morais. Reaja e inove.

E caso não gostes de nenhuma dessas opções, poste algo no Facebook e sinta-se melhor.

                                               

segunda-feira, 24 de março de 2014

O ser autocentrado

Se você está lendo esse texto você pode pensar e agir. A tua ação dependerá de vários processos mentais invisíveis e que provém da razão, da sua mente e cérebro. E isso de formou dessa forma através de milhares de anos de evolução da humanidade. Tendo em vista esse quadro, somos uma sociedade quase perfeita onde todos vivem de forma racional e igual, onde o bem estar da sociedade e mais importante que o bem estar de uma pessoa apenas. Não somos assim? infelizmente, estamos longe disso.


As justificativas são inúmeras para o nosso comportamento egoísta e auto centrado. A dois mil anos atrás um pensador abordou esse tema procurando dizer que deveríamos “amar o próximo com a nós mesmos” e isso nunca ocorreu. E cá estamos em pleno futuro após esses milhares de anos e vivemos com abundância em tudo, menos nas atitudes em prol dos outros. Parece demagogia, claro, pois mesmo esse que vos escreve não é perfeito e se insere nesse contexto. O que nos surpreende diariamente é perceber ações negativas se propagando na nossa sociedade. E sendo bem sucedidas e aceitas.

Ser autoconfiante não significa desvalorizar o próximo. Não significa acreditar que as suas verdades são melhores que as dos outros e muito menos não questionar-se sobre as tuas atitudes. Graças aos meios de comunicação em massa hoje temos a possibilidade de sermos pequenas ilhas e reis e rainhas dentro dos nossos lares e carros. Ou no nosso micro ambiente social que de forma imaginária acreditamos ser o ideal e isento de responsabilidade com o macro ambiente que vivemos.

E isso se manifesta no trânsito, no acúmulo de lixo nas cidades, nos relacionamentos falidos entre casais que não se amam e convivem por interesses econômicos entre si e falsas amizades onde pretensos parceiros visam somente angariar dividendos com a tua amizade. Atos simples como elogiar o próximo está fora de moda ou pequenas atitudes de gentileza facilitadas hoje em dia pela tecnologia, como um telefonema cordial ou um clique de curtir em algo que você gosta na rede social do seu amigo - ou ainda - dar passagem para outros no trânsito estão se tornando raros. É um novo tipo de ser social que surge, que na sua pouca consciência não depende de ninguém para viver e faz o suficiente para ser agradável quando isso gera dividendos financeiros ou para massagear seu ego.

Se algo ou alguém nos desagrada por ser diferente o que fazemos? Apontamos o dedo! Rotulamos como leproso social, e como tal, os deixamos a margem da nossa convivência. Não fazemos o menor esforço em entendê-lo ou nos questionar a nossa filosofia de vida (ou falta dela). Justificamos parte desse comportamento com a “falta de tempo” ou “pressa” correndo como baratas tontas para lugar nenhum. Por vezes, abro porta para pessoas passarem em algum local e fico pasmo quando elas passam sem ao menos agradecer. Costumo dizer: “- de nada” para a pessoa perceber a grosseria que está fazendo. Em todos os casos, a pessoa volta o rosto e diz: “- obrigado” meio a contragosto. Raros casos voltam e pedem desculpas por não ter percebido a grosseria. A tendência é as pessoas agirem como se os outros ao redor fossem seus empregados. E isso não é somente falta de educação e cortesia, é agir de forma egoísta. 

Somos uma sociedade de iguais ou ao menos deveríamos ser.


Vejo em publicações virtuais e impressas artigos e comparações entre os animais e humanos. As manifestações são várias de que os animais agem de forma mais pura que nós, mesmo sem raciocínio. Claro, são análises superficiais desses comportamentos, pois a ciência sabe que animais podem ser diferentes mesmo convivendo em grandes grupos, e por vezes, podem ser cruéis, num ambiente selvagem. Mesmo animais domesticados dependendo da circunstância podem agir de forma negativa. Todavia estamos falando de animais e não seres humanos, que deveriam primar pelo raciocínio e ação. 

De que adianta se dizer ecológico quando o principal item dessa ciência está sendo negado, que é a preservação da própria espécie. E para preservar alguém, temos que respeitá-lo e valorizara-lo como igual, sem intenção de obter nenhuma vantagem. E nisso resulta um desafio da nossa sociedade: vivermos num planeta gigante (e cheio de recursos) como se vivêssemos dentro de uma pequena nave espacial. Será possível? 

A falsa sensação de competência


A burocracia além da razão


Estamos vivendo um momento de transição na história. Pela primeira vez temos um grande número de pessoas com acesso ilimitado a informações, de diversas fontes e qualidades (boas e más). É o avanço tecnológico e das comunicações que varre o nosso mundo em busca de novos adeptos e demandas, visando é claro, o lucro, porém com um viés de serviço filantrópico. Essa transição nos faz conviver e confiar na tecnologia como solução para problemas em produtos e serviços nos setores privados e públicos. Todavia, não é o que está ocorrendo, os problemas estão aumentando.

Tenho notado um aumento da insatisfação dos consumidores sobre os serviços privados e isso se demonstra claramente no alto índice de reclamações em órgãos de proteção ao consumidor. Apesar de toda a tecnologia disponível, esses recursos encontraram uma grande massa de seres humanos ainda não preparados para lidar com as facilidades das mesmas. Não basta ter um curso de informática ou saber operar um computador, o cérebro e a mente devem estar ajustadas para utilizar os recursos com bom senso. Em muitas áreas, quando somos consumidores percebemos que existe uma falta de profissionalismo e agilidade no retorno de solicitações, por mais dinheiro que você tenha – além da disposição em comprar – a falta de bom atendimento está generalizada.

E amparada na tecnologia e nas suas aparências, a incompetência tomou conta. Não existe mais a necessidade de questionamento nos processos de atendimento, tampouco a reflexão se os mesmos estão atendendo de forma eficiente as demandas. Tudo é deixado para outro dia ou repassado a responsabilidade para outro setor, e pior, descaracterizando o fator humano no atendimento.

Por vezes, percebemos processo em andamento em instituições privadas, associações, federações e órgãos públicos que não tem cabimento. Que são daquele formato apenas por preguiça de se re-pensar seu funcionamento. Toda a tecnologia disponível não atende problemas simples de se resolver. E o DNA disso está na nossa cultura onde não somos ensinados a criar soluções e a debater de forma saudável os processos e também se forma pelo tipo de governo federal que temos. Sim, para um Estado não é salutar uma mesma linha de ideologia política ficar no governo mais que quatro anos. Após isso se forma “zonas de conforto” em vários órgãos e métodos e isso influencia diretamente a iniciativa privada, que na falta de um bom exemplo de eficiência e eficácia (são conceitos diferentes, clique nas palavras para saber mais) acaba por se omitir e acomodar.

Qual o nosso papel nisso tudo? Cabe-nos concentrar nas pequenas demandas diárias e torná-las mais eficazes e com menos desperdício de energia. Cabe-nos facilitar a vida do próximo com soluções criativas, limpas e honestas dentro de um sistema que nos obriga a sermos burocratas. Para isso temos que estar de coração e mentes abertas a servir o próximo de forma sincera e desprovida de vaidade, nos colocando no lugar dos outros e facilitando ao máximo suas vidas. Essas atitudes começam com os pequenos detalhes no dia-a-dia, desde o trânsito até dentro da sua casa. Se quisermos usufruir da tecnologia como forma de solução para os nossos problemas, teremos que modificar a nossa postura e agir de forma focada, nos outros, e não em nós mesmos.



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Método para treinar Karatê na praia.


 Época de férias e alguns hábitos são modificados dentro da nossa rotina de atividades físicas. Para os praticantes de Artes Marciais acostumados a ter um professor (Sensei) a disposição, avaliando e corrigindo as posturas e técnicas, esse período de ausência do dojo pode ser ainda mais difícil para manter a forma física.

Existem dois horários básicos para você treinar Karatê-Dô na praia: ao nascer do sol (por volta das seis da manhã) ou à noite (por volta das vinte horas). A razão desses horários é não chamarmos a atenção das pessoas que passam pela praia. É certo que um praticante de Karatê-Dô executando chutes e socos, no ar, é algo estranho para pessoas leigas, que podem parar para observar, perguntar ou até querer interagir com os movimentos. Em outros casos, por pré-conceito, podem até achar que você é maluco. Tanto faz, no fundo, porém para mantermos a concentração no treinamento o ideal é evitarmos contratempos.

O terreno que você irá treinar influenciará o seu desempenho. Vamos utilizar a areia fofa, areia dura e água do mar. Não existe a necessidade de usares kimono, sem formalidades e concentração apenas na técnica. 

Vamos iniciar o treino na areia fofa. Ela irá dificultar os movimentos e fará você entender o valor do dachi (da base), dos movimentos de pernas, pés e tornozelos. Além do centro de gravidade. Se fores executar katas comece com movimentos lentos e centrados no dachi e vá aumentando gradativamente a velocidade e força.  Pelo fator vento, por vezes, quando chutares a areia irá contra o seu rosto entre outras coisas. Ignore. Siga treinando. Aos poucos você irá se integrando com o ambiente e sentirá a força da natureza ao teu favor.

Após algum tempo, siga o treinamento na areia dura, próxima ao mar. Verás que os movimentos fluem com mais facilidade e que a sua força estará aumentada. Procure não concentrar-se nisso e siga focando nas técnicas, posturas e precisão de chutes e socos. Cuide para que os braços estejam próximos ao tronco e centro de gravidade. A sua coluna deve estar alinhada e o quadril encaixado. Evite o desequilíbrio. 


Quanto mais baixo seu dachi estiver, melhor as técnicas serão executadas. Por fim, treine alguns movimentos (ou kata) com a água do mar até os joelhos. Isso irá reforçar a sua base e firmeza do corpo (e core), pois as ondas tendem a colocá-lo fora do seu centro.

Se você abrir sua mente irá perceber que isso é uma analogia para os desafios da vida. 

Karatê-Dô é sinceridade, Karatê-Dô é vida. Bons treinos Oss!







quarta-feira, 6 de março de 2013

Ter razão ou ser feliz?

Gosto de conviver com gente que me acrescenta. Que me estimula a pensar e rever meus conceitos, ou mesmo, confirmá-los. 

Ter a razão é ter responsabilidade e ficar preso a algo como se fosse algo absoluto e imutável.  O universo está em constante movimento, mesmo  que seja de forma imperceptível ao nosso olhar. Sou ávido por respostas e os questionamentos fazem parte do meu aprendizado e reconhecer que estou errado me faz evoluir. Muitas vezes estou correto na minha avaliação sobre determinado tema, porém isso não é o mais importante. 

De fato, o que tem valor é ser flexível, ciente que nem sempre temos razão sobre tudo. Dá muito trabalho ter a razão e tentar convencer aos outros que estamos certos. Quando mais razão tiver, mais chatos ficamos. E na convivência com pessoas, é melhor que ambas saiam vitoriosas e sintam-se bem. Ser feliz, no caso, é uma escolha racional.


Perdas e Ganhos


Tenho escutado de muita gente, recebendo notícias e observando a quantidade de perdas que absorvemos durante a vida. São mortes, renúncias, mudança de vida, partidas, rompimentos, derrotas entre outras. A vida é repleta de perdas, talvez os pessimistas diriam que a partir do momento que nascemos já estamos perdendo pelo avanço da idade.

Os otimistas podem acrescentar que o conhecimento e experiências que temos nos faz ganhar algo e o enriquecimento do nosso espírito (e amadurecimento) é que nos transmite essa sensação de receber algo do Universo. Acredito mais nessa hipótese, ainda que saiba, que as perdas fazem parte do nosso processo de vida. 

É a eterna dualidade do ser humano, onde não podemos acreditar de forma absoluta em algo, sendo preferível interagir com liberdade e sem paradigmas de pensamentos. 

Gosto de acreditar que na vida estamos sempre recebendo, sempre ganhando pois a  energia que pulsa dentro de nós é uma grande oportunidade. Não somente para nós - e também - para os nossos entes queridos: amigos, familiares e pessoas que a gente quer ver felizes. Perder ou ganhar, o importante é viver. 

"Com as perdas, só há um jeito: perdê-las. Com os ganhos, o proveito é saborear cada um como uma fruta boa da estação. A vida não tece apenas uma teia de perdas mas nos proporciona uma sucessão de ganhos. O equilíbrio da balança depende muito do que soubermos e quisermos enxergar.
Lya Luft



segunda-feira, 4 de março de 2013

A chance de re-nascer!


Completei 38 anos de idade. E com o aniversário, novas reflexões e objetivos.

O aniversário retoma o momento cósmico do nascimento e, por isso, tem, sim, importância. Não é voltar para o mesmo lugar, mas é voltar para uma configuração de ‘n a s c e r’. 
Então, como isso ocorre ‘mais uma vez’, a cada ano, podemos pensar nessa ocasião como a de ‘re- n a s c e r’, reinventar a vida, reescrever a história a partir de outras bases, outra trama de relacionamentos, outra configuração, ainda que se aproxime da situação de um tempo anterior, quando uma carga maior de energia se fez em nós e, uma vez mais, nascemos.
O que renova, então, é a força propulsora, o sopro de vida, que nos dá mais um tempo aqui, como oportunidade para aprimorarmos o espírito, para fazermos nossa tarefa, estarmos próximos de seres que gostamos e que nos gostam.
Partido dessas premissas, eu celebro a vida, celebro meu ‘re-nascimento’ nesses novos tempos!


* Texto enviado por uma grande amiga de jornada Dra. Maria Luiza Cardinale Baptista, com pequena edição. Valeu Malu! 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O singular sentimento do amor - Parte I

Resolvo escrever sobre um tema tão interessante e amplo, que jamais pode se esgotar em um texto, através de simples palavras. Lidar com ele é, então, um exercício de expressão, para o que não se acaba, não deve se acabar no escrito, mas deve se renovar constantemente, na vida. 

Trata-se exatamente desse sentimento para o qual a espécie humana dedicou gerações de contos, poesias, óperas, pinturas, livros e histórias e que nos faz acreditar que podemos ser melhores “por” e “para” alguém. 

Faz-nos crer que somos especiais e diferentes de outros animais, apesar de, muitas vezes, agirmos instintivamente a respeito desse sentimento.

A definição de amor é extensa, podendo variar desde afeição, compaixão, misericórdia ou, ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém. E é sobre este vínculo que pretendo discorrer, a partir das minhas limitações e da visão que tenho sobre o tema.

Os mais céticos, ao falarem sobre o amor, poderiam convencionar que o mesmo diz respeito a apenas uma “fórmula” evolutiva da espécie, para justificar a congregação de pessoas, a reprodução e proteção da prole, tendo em vista as agruras de um ambiente hostil desde os primórdios da civilização. Apesar da tentação de querer simplificar o assunto e torná-lo o mais racional possível, é pouco provável que seja somente disso que se trata o amor. 

As referências são muitas, nesse campo; porém, a principal se dá no âmbito das sensações humanas diferenciadas, quando se encontra alguém que, aos seus olhos, faz a diferença.

Essa diferença não se dá somente aos olhos, porém ao olfato, audição e tato. O tom de voz, a forma dos movimentos e a relação da pessoa com a vida atraem de maneira especial. Alguns conseguem definir como uma vontade irresistível de estar com essa pessoa ou, ainda, uma sensação de conhecer a tal pessoa há anos, quando na realidade, muitas vezes, o relacionamento é recente, tem apenas poucos dias ou meses. Ainda assim, a vontade de ficar junto é maior que qualquer racionalidade. Eis que nos indagamos do que se trata essa vontade? 

Muitos definem isso como “paixão” e justificam que o mesmo acontece antes do “amor” e que haveria certo ordenamento sentimental para os eventos. É possível.  Só que tão improvável como o amor acontecer subitamente é que exista uma ordem e intensidade que possa ser medida e definida como uma palavra ou outra. Irei simplificar e chamar tais sensações como “amorosidade”, ou seja, um estado de “amor”.

Uma boa definição da forma como o amor pode acontecer está no conceito grego do mesmo, que reduz a essência do amor a três nomes: Eros, Philia e Ágape (saiba mais, clicando aqui).

Contudo, gosto de acreditar que todo amor surge de uma grande amizade. O amor pode nascer da simpatia por alguém (É o que a autora Maria Luiza Cardinale Baptista chama de “amoramizade”) e pela vontade que temos de compartilhar questões e sonhos com esse alguém. Existe também a chamada “química” entre duas pessoas que se trata da sintonia desde pensamentos, cheiros e toques de pele. 

Em contrapartida, planejar o amor e idealizar a pessoa amada é o mais próximo possível de criarmos frustrações pela expectativa do irreal. Afinal pessoas são falíveis e propensas ao erro, ainda que bem intencionadas, podem cometer deslizes. Saber como contorná-los e a perspectiva que iremos dar a essas falhas é que define o quanto estamos preparados para amar alguém.  Nesse ponto, entra o perdão e a doação. Sem o perdão e um amor fraternal pelo próximo, jamais poderemos amar plenamente. Um grande e incompreendido filósofo disse: “ama o outro como a ti mesmo” ou, ainda, “oferece a outra face”. Talvez ele estivesse dando a fórmula de sucesso para o amor entre duas pessoas. Respeitar as diferenças e acreditar que vale a pena doar-se para isso fortalece o verdadeiro amor. 

Amar é querer o melhor para o parceiro(a). Comemorar suas vitórias, consolar e dar a mão nas derrotas e aconselhar as dúvidas. Encontrar soluções, construir o diálogo. Por vezes, ainda que a felicidade do próximo seja longe de você, a decisão de abrir mão de alguém pode também ser um ato de amor. 

Óbvio que, ao longo das nossas vidas, acontecem escolhas mal feitas e frustrações, pela idealização irreal de um amor que nunca existiu. Elas geram correções e nos fortalecem, para escolhermos melhor, na próxima vez.

E quantas vezes podemos amar numa vida? 

Poucas. No meu caso, amei com intensidade, porém poucas. Como é típico do ser humano, as mulheres que amei eram pessoas imperfeitas. Meu interesse e encanto estavam ligados justamente a essas características de imperfeição delas. Ainda que belas (ao seu modo), inteligentes, educadas, carinhosas (ou não), todas tinham defeitos, sendo que essas nuanças de personalidade é que as transformavam em pessoas especiais para mim.

Ainda que uma pessoa possa ser especial, quem não pode enfrentar a realidade externa, como se espera do indivíduo pleno, com coragem e valor, talvez não possa amar alguém imperfeito. E para que (ou quem) vale ser perfeito? se mudamos pelo outro acabamos nos deformando. 

E nesse ponto residem outras dúvidas dos amantes: é possível mudar por alguém? As pessoas mudam? Sim, acredito que é possível mudar, mantendo a essência daquilo que você já é. É possível você se tornar o que realmente você é, para melhor conviver com alguém. 

Deixar de aspirar ou interpretar um personagem, para se tornar “o melhor” dentro daquilo que você mesmo é. Descobrir-se e abrir sua mente e conduta para si mesmo, independente do que os outros possam achar ou julgar. Nisso reside o verdadeiro ato de amor: servir ao próximo. Estar disponível e aberto para enfrentar as dúvidas, tormentas, alegrias, conquistas, sonhos e vida plena de erros e acertos junto com alguém.

E quem não sentiu, quer os ardores da desilusão assim como o prazer de uma efetiva conquista?  A dor (e algumas sensações decorrentes da mesma) virá de qualquer maneira, quer a gente ame ou não.

Somos todos passageiros nessa curta vida e que de pouco valerão os julgamentos que fizermos sobre o alheio, ainda mais com a arrogante expectativa de que poderemos ser melhores (ou somos), sem desenvolver qualquer esforço para sê-lo.  Julgar toda a vida o outro, para só fazê-lo a ti mesmo no final da vida é um erro para quem quer amar plenamente.   

Somente é possível viver com o outro - e pelo outro. 

O egoísmo mata em vida seu portador, como o câncer mata a si mesmo matando o corpo em que vive. A coragem é daqueles que agem, ainda que com medo, mas certos de suas convicções. É preferível viver talvez nos pântanos terrestres ou talvez num oásis, mas com os pés na terra, sentido o odor da realidade. E nesse ponto você pode sempre mudar a sua história, se reinventar e acreditar que vale a pena investir e abrir a sua vida para alguém especial. 

Para isso é tão importante o conceito de amorosidade, que é “uma condição humana elevada, aproxima as pessoas do conjunto de virtudes, pois nela estão incluídos o cuidado, o respeito, a confiança. A amorosidade é bela, boa e verdadeira.” (Eugenio Mussak). E plena. 




Aqui vale também o que diz Maria Luiza Cardinale Baptista: “O amor precisa ser calmo, precisa ajudar a dar paz, a resgatar a sensação de plenitude, de aconchego, de confiança plena, de possibilidade de desnudamento, pleno, sem medo, sem constrangimento.”

A amorosidade envolve a prática de expressar o amor em tudo que fazemos e a todos com que nos relacionamos. Significa que não temos somente interesses pessoais envolvidos, idealizando o parceiro(a) ou que não estamos interessados na possível condição financeira ou de status do mesmo. Significa que podemos amar plenamente alguém, pois o ato de amor está em tudo que fazemos, desde o trabalho, estudo, cuidado com a saúde, relações amigáveis, entre outros. A amorosidade trata de romper com o orgulho e vaidade, em prol de algo muito maior, que podemos acreditar se tratar do singular sentimento do Amor. 

Por isso, fica a sugestão de orientação para a vida: ame-se e ame muito. 




Revisão de texto por PazzaComunicazione.