quinta-feira, 9 de abril de 2020

Imunidade, metabolismo e energia (Ki)


        Está acontecendo algo inédito para muitos (pandemia) quando temos a oportunidade de refletir e estudar sobre nossos hábitos de saúde. E não se engane: isso já ocorreu muitas vezes na história da humanidade, infelizmente no passado eles não tinha a facilidade de informação que temos hoje em dia. Claro, usando o filtro adequado e bom senso pois muito do que se ouve e lê, pode estar “contaminado” pela falsa verdade (espécie de mentira que de tanto repetirem parece real). E quando falamos de saúde, estamos ligados a infinitos fatores, entre eles e o mais em voga hoje é a “imunidade”.

     Imunidade é o conjunto de células, tecidos, órgãos, caracterizados pelo reconhecimento, e ação defensiva de eliminação contra substâncias ou moléculas infecciosas ou não, e agentes patogênicos capazes de entrarem no organismo através de enxerto, infecção ou reinfecção, e causar enfermidades. 


Simples né? 

    Porém antes de falarmos de como melhorar nossa imunidade, precisamos conversar sobre o “metabolismo” que trata-se do conjunto de todas as reações que ocorrem no organismo. E essas reações geram energia para a nossa vida. Esse metabolismo é complexo sendo um conjunto de reações químicas e hormonais, que acontecem nas nossas células utilizando todo o nosso corpo.

       O que interliga o metabolismo com a imunidade é a capacidade que temos de acelerar de forma benéfica (ou no mínimo equilibrar) esse sistema sofisticado de vida. E para isso vamos utilizar recursos como alimentação, exercícios, sono adequado, gerenciamento de stress e qualidade de vida.

       Acabamos não percebendo que nos alimentamos de substâncias processadas pelas indústria, excesso de açúcar, quantidades absurdas de comida, assim como bebidas que causam uma explosão de insulina e destroem nosso metabolismo pouco a pouco. Não estou pedindo que parem de beber ou virem veganos, até porque também não sou (ainda) e assim como você, bebo socialmente.

      A obesidade é um dos grandes vilões do nosso metabolismo. Então, ser obeso é aquela pessoa bem gorda né? Não. É estar com peso em excesso para sua altura e idade. Já é o suficiente para lhe causar mal. Cigarro, álcool, stress e drogas de farmácia também colaboram para destruir tua imunidade, mesmo que a última dessa lista, por vezes, seja necessária para “recuperar” o que você já perdeu, a sua energia.

Na cultua japonesa, eles chamam “energia” de “ki. Acaba por sendo algo metafísico definido como a força da vida, a energia imaterial onipresente que no seu fluxo, que anima todos os seres vivos e permeia o Universo, ligando todas as coisas como um todo. 


O bom é que podemos aprender a gerenciar nosso “ki”, através de práticas simples e outras avançadas. 

Quem pratica Artes Marciais de forma inconsciente para iniciantes e consciente para graduados, está trabalhando o seu “ki” em todos os treinamentos. Também por isso, a sensação de alívio quando ao final do treino, pois os praticantes estão com o “ki” equilibrado.

Imagine o “ki” como uma água da cor que você preferir, que percorre o seu corpo como uma rio que percorre vales e montanhas. A maneira mais simples de equilibrar o seu “ki” é através da meditação diária, isso pode ser realizado cinco minutos por dia e ir acrescentando o tempo necessário, conforme a sua rotina. Trabalhando a sua energia você estará contribuindo para a melhora da sua imunidade e equilíbrio do metabolismo, além de ser uma forma de limpar os seus pensamentos do excesso de sujeira que nos ronda. Ao final desse texto, colocarei um link para começares a praticar a meditação

A limpeza, dessa vez, é de dentro para fora.

Existem diversas maneiras de acelerar o seu metabolismo e aumentar a tua imunidade, e todas estão ligadas a sair da “zona de conforto”. Infelizmente, a nossa tendência natural é irmos deixando de lado novos hábitos e vendo a vida escorrer pelos nossos dedos, sem qualidade. Muitos morrem, de forma precoce, dado a isso – infelizmente.

Além de evitar alimentos processados, também o glúten, a lactose e gorduras de frituras são um veneno para a tua imunidade.  A falta de higiene é um costume que infelizmente herdamos de nossos ancestrais, e por incrível que pareça, graças a miscigenação com os índios no Brasil, adquirimos melhores hábitos como banhos diários entre outros. Todavia, poderíamos aprender com os japoneses mais itens como: retirar os sapatos antes de entrar nas casas, limpar os locais após eventos públicos, uso de máscaras em caso de gripe (pasme, já fazem a anos) pensando no próximo, limpeza das mãos com toalhas quentes e sabonete líquido entre outros.


Sobre o banho, recomendo tomares de água fria. Calma, não precisa retirar água da geladeira e tomar banho. Ela vem na temperatura ambiente, do seu chuveiro. Claro, em regiões ao sul do país teremos uma água mais fria que o costume, ainda assim, é infinitamente mais saudável para você do que a o banho de água quente. O banho frio principalmente é benéfico para a sua resiliência mental, como superação e alívio da ansiedade, controle sobre suas emoções e superação. Estudos mais específicos dizem que o que é maléfico mesmo é o banho quente, no caso, deveria ser sempre "morno" a ponto de não embaçar o espelho do banheiro. No caso, se o banho frio for impossível para você, quem sabe ir diminuindo a temperatura um pouco por semana? é uma forma de treinamento da sua resistência a dificuldades. 


Na alimentação, muita água (exceto nas refeições), frutas, legumes e PIMENTA! Sim, além de dar um realçar o sabor da comida, esse item simples faz com que seu metabolismo trabalhem melhor. De manhã cedo, logo após acordar, espremer um limão num copo d’água (d’água significa “cheio”) e tomar sem fazer careta.

As opções são muitas, sendo a "cereja do bolo" as atividades físicas. Todos nós teremos que aprender a lidar com essa melhora da imunidade daqui para frente. Será uma questão de vida ou morte, como estamos vendo nesses tempos de “pandemia”. Afinal, se não fizermos isso para nós mesmos e colaboramos para que outros também o façam, do que adianta viver em sociedade? 

Experimente, pesquise a respeito e mãos à obra!


    Meditação


 Banho gelado





quarta-feira, 8 de abril de 2020

A insegurança humana no Universo das comparações.


O ser humano é fantástico nas realizações, na sua fisiologia e a sua própria vida é algo maravilhoso. Dito isso, olhando de forma isenta a “máquina” humana está pronta para ser programada, isso através do cérebro. Então chegamos na questão da psique de cada indivíduo e aí temos defeitos de “programação”.

O cérebro é feito para executar tarefas e feito isso, economiza energia ao máximo. 

A mente que está dentro do cérebro faz executarmos tudo de forma mais consciente e eficaz, porém consome mais energia que o cérebro não quer gastar. Eis que surge a preguiça como fator de antagonista da educação, leitura, exercícios, autoconhecimento e evolução e pensamentos mais elevados. Sendo assim a insegurança humana é algo relacionado ao medo, que por sua vez é um sentimento atávico e instintivo, que está programado no nosso cérebro para nos proteger num período que éramos “caça ou caçadores”. Quem quiser saber mais, recomendo o livro “Sapiens – Uma breve história da humanidade (Noah Harari)”.

Trazendo para a nossa época, repleta de informações e abundância de oportunidades de evolução, a insegurança tem remédio. O medo é importante para mantermos uma vida equilibrada, mas vivermos em função dele é uma doença e o mesmo serve para te motivar a avaliar os riscos com bom senso. Se vale a pena ou não fazer, investir, se dedicar entre outros. Para isso serve o medo. A preguiça em pensar traz à tona o pré-conceito e o mesmo nos impede de enxergar a verdade sobre as coisas, de forma racional.

E a comparação é um veneno na nossa sociedade. 

Nesse contexto, tudo está relacionado com uma análise superficial da vida e comportamento dos outros, baseado na nossa própria limitação. E do nosso medo.

Imaginamos que os outros trabalham menos que a gente, que vivem melhor baseado naquele ditado popular “a grama dos outros é mais verde” ou que sofrem mais por terem filhos, por não por terem filhos, serem gordos, magros, pobres, ricos, altos, baixos, burros ou mesmo inteligentes demais. Felizes no amor, casados, solteiros, etc.

Tudo baseados em pré-conceitos sem razão.

Cada indivíduo tem as suas questões e dificuldade. Cada indivíduo tem suas vitórias e derrotas, passa por dificuldades e procura se superar dentro do que pode fazer. Outros superam obstáculos gigantes e demostram mais resiliência que outros, entretanto, não são melhores ou piores, apenas são o humanos diferentes, como cada um de nós.

Procure abandonar as comparações, as mesmas são um defeito muito grava de personalidade e não prestam um serviço para tua evolução. Se procures em todas as religiões, dizem conceitos similares. Se fores ateu, podes procurar na filosofia e se queres ser ainda mais radical, use a lógica matemática para formatares teu conceito, evitando o pré-conceito.

Então surge um argumento: “bom, mas as comparações são importante para avaliarmos notícias e investimentos, relacionamentos entre outras”. Claro, a um certo nível podemos usar a comparação de forma saudável, evitando a utilizar as mesmas como ferramentas diárias de raciocínio. Usar as comparações diariamente, irá nos transformar em pessoas amargas e frustradas, pois sempre haverá alguém que vive melhor ou aparenta ter uma vida melhor que a sua. 

E como fazer para evitarmos comparações? A insegurança?

É um trabalho duro! Exigirá que uses a tua “mente” e não somente teu “cérebro”. Falando em primeira pessoa, eu me baseio em cinco alicerces: trabalho, atividade física, terapia, esoterismo e filosofia. Todas falam de evolução, todas trabalham a consciência, o amor, o respeito e repelem o pré-conceito. Todas te fortalecem a alma e a mente. E isso te fará enxergar o mundo e pessoas como eles são e não apenas “ver” o que teu cérebro (preguiçoso) procura induzir.





segunda-feira, 6 de abril de 2020

O quão importante é ser um esportista, para as Artes Marciais.


      Estamos cientes a muitos séculos da importância do movimento físico para a nossa saúde. Desde os primórdios, o ser humano utiliza o corpo como ferramenta para suas atividades, desde a sobrevivência até a imposição dos seus objetivos como indivíduo.  

       Atualmente, o corpo já não é mais tão solicitado pela força e velocidade dos músculos, graças as tecnologias podemos usar, em grande parte do tempo, o cérebro, em desdém a nossa grande capacidade física.


    Dado esse histórico primata da nossa condição, a atividade física tornou-se um investimento de tempo, energia e dinheiro (além de disposição) para a melhora da saúde. Ao contrário, estamos condenados a doenças, inércia, dores e limitações impostas pela idade e pela preguiça. Impondo limites com desculpas para a má gestão do tempo, enquanto o mesmo passa de forma muito rápida.

       Entre as práticas físicas encontramos as Artes Marciais, que promovem uma melhoria em toda condição fisiológica do praticante, além de ser uma forma de terapia, meditação e conhecimento de uma cultura milenar. Um praticante de Artes Marciais, na sua atividade, já encontra ferramentas de desenvolvimento físico e motor excepcionais, a questão é:

Será o suficiente?
         A resposta é simples: entre iniciantes, sim. Para alunos avançados e principalmente faixas pretas (ou graduados na sua arte) não. Por décadas venho treinando e estudando a forma dos japoneses viverem e o que nos ensinaram das Artes Marciais é uma pequena parcela da forma de vida saudável que levam. E isso engloba a prática frequente de atividades físicas, de meditação e controle do peso. 

   Claro, mesmo na cultura deles existem exceções, ainda assim, muito mais raras que no ocidente. Por isso, para haver um completo desenvolvimento na sua Arte Marcial, é importante aliar outras práticas físicas e rever por completo a sua dieta. Evidente, isso se você quiser entrar em outro patamar de sofisticação na sua prática e melhorar, ainda mais, a tua saúde global. Não estou dizendo que pessoas “obesas” ou com “limitações” físicas não possam praticar Artes Marciais, estou afirmando que partimos de um ponto zero e a nossa intenção é evoluir dentro da nossa prática. E para isso ocorrer, precisamos aliar ferramentas como a musculação, corrida, alongamentos e exercícios de mobilidade, meditação, calisetenia entre outros esportes. Todo e qualquer exercício que promova a saúde global, além de ser desafiador irá fazer com que a sua prática Marcial seja melhorada.

      A cada ano de prática de Arte Marcial você precisa acrescentar exercícios a sua rotina. Torna-los parte de você, da sua vida. Aliado a isso, evidente um estudo teórico do que está realizando, tanto no ambiente de lutas como nos exercícios que você se propuser a executar. É fato que com a idade, as limitações aumentam e por vezes, vejo professores de Artes Marciais com muitas limitações e excesso de peso, provenientes de uma época onde não se investia em atividades paralelas ou dietas corretas, tornando lesões temporárias em permanentes, massa muscular em excesso de gordura e convertendo o instrutor em um palestrante de Arte Marcial. Nada contra, pois a qualidade do mesmo, irá equilibrar o que lhe falta em habilidade física, ainda assim, defendo que principalmente instrutores não se deixem levar pela “zona de conforto” nesses aspectos. O exemplo virá dos mais graduados e isso é fundamental para inspirar alunos a melhorarem suas condições físicas e mentais.

     O guerreiro moderno, raramente irá precisar de defender na rua de uma investida. A grande ação é forjar sua psique para ser mais forte e ágil, e isso engloba também um equilíbrio de saúde, com tônus muscular e agilidade em qualquer idade. 

Nisso os orientais demonstrar uma longevidade superior a nós, pois investem na leveza e equilíbrio de vários aspectos nas suas vidas. 

         A técnica é superior a força, e o espírito superior a técnica, entretanto não adianta ter técnica e não conseguir executa-la e a melhor forma de engrandecer o seu espírito é praticando sua Arte Marcial na plenitude da mesma, com todas as ferramentas possíveis que tiveres para faze-la a cada treino, melhor. Portanto, acredite que você pode mais e torne-se a sua melhor versão, ano após ano impondo-se você mesmo seus limites e não deixando-se levar por limites externos. Bons treinos!

domingo, 29 de março de 2020

O perigoso distanciamento do aluno de Karatê-Dô


Em tempos remotos, quando não existiam recursos e a informação era escassa, um professor era visto como fonte de conhecimento, transmitindo as informações do mundo. Este, por sua vez, trabalhava arduamente para se manter atualizado e passar o melhor para os tutelados. Era reconhecido por isso e em muitos lugares, tratado com respeito e admiração.


 As relações professor-aluno, por vezes, transcendiam a sala de aula e causavam mudanças que até hoje muitos educadores desconhecem. A mudança de qualidade de vida de quem está disposto a aprender, significa muito e abre portas para um novo mundo. O universo do desconhecido causa a sensação de seremos aventureiros desbravando um território, como a séculos nossos antepassados faziam literalmente.

Infelizmente, em novos tempos essa relação ficou diminuída. A forma de informações que a internet provém, transforma dia-após-dia o vocacionado professor, em algo obsoleto - para alguns. E isso é uma tendência, não uma reclamação. O perigo desse fato se encontra quando observamos uma atividade como o Karatê-Dô, considerado uma Arte Marcial. Hoje, apesar da urgência de haverem ferramentas de desenvolvimento psicológico e físico aliadas na mesma atividade, muitos menosprezam o instrutor (sensei) e suas iniciativas. Está se perdendo, de tempos em tempos, a “marcialidade” da “arte”. 

Alunos chegam todos os meses no dojo, procurando respostas para perguntas que ainda não sabem. Descobrem que a cada aula ficam mais satisfeitos e com menos dúvidas, apenas com a vontade de aprender mais. Alguns se vão, quando seus copos estão “cheios” e aquilo basta para modificarem suas vidas. Outros tantos persistem e acreditam que podem ir além, com razão. Nesse meio tempo o instrutor está lá, vendo passar centenas de alunos por anos, lidando com questões físicas e psicológicas de cada um, absorvendo e seguindo a fórmula dos mestres anteriores, de educar. Nosso sistema foi chamado de Shotokan, pois foi fundado por um mestre diferenciado, que já era professor, enquanto outros mestres eram agricultores, pescadores, políticos ou guerreiros.

Muito alunos atualmente praticam a técnica porém não estudam a filosofia Marcial. E pior: não a praticam na sua vida diária! Estamos formando um exército sem consciência de lealdade, dedicação e respeito pela hierarquia. Em um passado, não muito remoto, um instrutor de Karatê-Dô era visto como referência, alunos atendiam a chamados de treinos e eram pró-ativos e leais aos seus dojos. Posso citar que isso está na raiz do nosso sistema Shotokan. Após a II guerra mundial, o Japão estava devastado, sem condições sanitárias, com doenças de todos os tipos, sem comida tampouco água. Mestre Funakoshi (fundador do Karatê-Dô) havia desistido de ensinar. Seus poucos alunos sobreviventes a guerra e doenças, arriscaram suas vidas e economias para juntos, construírem um novo dojo e presentear o mestre. Colocaram na fachada uma placa “Shotokan”.


Com o advento da tecnologia, a velocidade tomou conta das relações. Todo o tipo de comunicação que não for rápida, estará obsoleta para muitos. Os alunos recebem informativos e não respondem, mesmo visualizado-os. Recebem vídeos e não os assistem, tampouco se dão o trabalho de curtir ou estimular o trabalho do instrutor. Estaremos nós, criando uma geração de pessoas que não elogiam ou tampouco são pró ativos? ou tudo isso não passa de uma nova ordem global? Onde interagir e estimular o próximo (instrutor ou não) é expor-se demais.

Interessante a anos tenho conversando com instrutores mais antigos e os mesmos me dizem para esquecer e não esperar nada de alunos, pois os mesmos são ingratos e possuem memória curta. Nunca quis acreditar nisso. Outros tantos mestres me disseram que não posso cobrar além dos que eles podem entregar. Graças ao meu mestre aprendi a desapegar de datas comemorativas ou expectativas, ainda assim, achei curioso que no meu aniversário, ano-após-ano, recebo menos parabéns dos meus alunos que de desconhecidos. E sim, temos meios fáceis de nos comunicar via internet, redes sociais e whatsapp, então esses recursos vieram para nos afastar? 


Ninguém gosta de perdedores, só os vencedores são aplaudidos. Por vezes, vencem sozinhos e recebem os aplausos no momento.

Numa guerra, situação de crise extrema, precisamos contar com o soldado ao nosso lado, na trincheira. É fundamental a hierarquia e isso nos torna quase uma família, só que com regras explícitas e espírito de combate. No campo de batalha, isso fará a diferença entre a vida e a morte. Um soldado jamais abandona sua guarnição, ou deixa um companheiro para trás tampouco abandona o navio que o acolheu. Procura de todas as maneiras ser útil mesmo que seja tapando um furo com o dedo.

Infelizmente, um instrutor de Karatê-Dô - atualmente - pode contar com poucos alunos. Numa situação de crise, mesmo gente treinada abandona a “marcialidade” e enxerga a relação com o dojo como se fosse uma loja, um comércio. No caso, são clientes e devem ser atendidos ao seu bel prazer e o instrutor é um vendedor, que recebe dinheiro para atender desejos.

Existem exceções, é claro. 

Poucas vezes, posso contar nos dedos de uma mãos quando um aluno me mandou uma mensagem perguntando se eu estava bem. Posso lembrar rapidamente, da vez que vi um aluno pegar uma vassoura para limpar o dojo, mesmo quando via que eu estava limpando. Ainda, posso ver estatisticamente uma quantidade enorme de acessos e visualizações de vídeos no nosso canal, contraponto da quantidade de “curtidas” que são escassas. O simples movimento de mexer o dedo e curtir algo do seu Sensei – quiça – responder nos grupos comunicados com “sim”, “ótimo”, “entendido”, e que seja a palavra mais simples “Oss” parecem abolidos.

Erro no ensino, desde a faixa branca? 

Falta de ensinar empatia além de técnicas de Karatê-Dô? 


Tenho a felicidade de ter alguns alunos que me seguem e auxiliam. Esses tempos tive que fazer uma mudança rápida de sala e dois alunos, de cinquenta, me ajudaram. Foram ótimos e prestativos. Ou quando adoeci, contei com três alunos para me substituir. Casos raros, momentos raros. 

Não espero muito de alunos antigos ou novos, continuo me dedicando ao máximo para entregar o melhor conteúdo que posso, ciente que é uma missão de vida independente de reconhecimento, ajuda ou de as vezes olhar para os lados, e me ver solitário. Quem sabe o legado seja vê-los levar um pouco de mim adiante, manterem a tradição, independentemente de serem empáticos ou não. 

Talvez esse seja o Caminho do verdadeiro guerreiro, contar somente com a sua espada. Quando seu coração (kokoro) está satisfeito, pode ser o suficiente. 
























sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

A vida e a morte sob a perspectiva do guerreiro.

Dizem que quando nascemos, começamos a morrer. Sim, porque o nosso tempo começa a contar a partir do nascimento. Os mais afortunados terão uma vida plena, sem doenças graves e irão permanecer um bom tempo nesse plano espiritual. Outros haverão de ter algum infortúnio e poderão perecer antes do previsto. É um lei e ordem natural do Universo e alguns dizem em ditado popular: 

“morrer é a única coisa que temos certeza que irá acontecer”.

Pois bem, somos ensinados a nos cuidar desde pequenos, a zelar pela nossa saúde e bem estar. Isso para termos saúde física e mental e criarmos todo um ambiente seguro para a nossa vivência. Ainda assim, algumas pessoas conseguem se desviar desse caminho e tomarem atitudes de risco (que não vem ao caso agora) e aumentarem a probabilidade de encararem a morte antes do tempo. E não existe uma data “prevista”, o que existe é o momento que isso irá ocorrer. E a nossa tendência é viver procurando não refletir sobre a morte e procurando enganar o tempo, de forma estética ou até psicológica, essa última alguns acreditando que são eternos jovens. Não são, e a maturidade é uma benção, não uma maldição.

Um praticante de Artes Marciais, procura ter uma visão mais amena da morte. Claro, somos humanos e desejamos viver e que os nossos entes queridos durem para sempre. Todavia, um guerreiro procura viver em paz no momento presente. É fundamental para ele, estar em paz consigo e o Universo no dia de hoje. Perdoar os erros do passado, não carregar frustrações e pensar de forma objetiva o futuro (um tempo que não existe na prática).

Quando o guerreiro, após muito treinamento e meditação, consegue enxergar a sua vida e morte como algo natural, vai perdendo o medo e apego a coisas e pessoas inúteis. Isso transforma sua maneira de agir, treinar e viver. Pois o apego massageia o ego e por sua vez transforma algo que é para ser natural (a prática da Arte Marcial) em algo simbólico, pela magia das roupas, faixas ou status de lutador. Um samurai numa guerra anseia pela morte entretanto luta com todas as suas forças para evitá-la. É um paradoxo marcial.

Com o tempo e o desapego, a pessoa (lutador ou não), pode sentir-se grato e realizado pelo que fez até o momento presente. Ser feliz pelo simples fato de estar vivo e contribuindo com o Universo, sendo um grão de areia nesse cosmo. Quando isso acontece, você está pronto a morrer a qualquer momento. Óbvio, assim como o samurai citado acima, iremos lutar para que não ocorra, contudo se ocorrer e você estiver de frente com a morte, irá encarar de uma forma tranquila. Pois até aquele momento fez o máximo que pode em todas as situações e relacionamentos, para ser melhor e fazer a diferença que era necessária em seu ambiente.

E estando satisfeito com a sua vida no presente, mesmo que tenha familiares, amigos, amores e coisas que ainda esteja apegado, você poderá encarar a morte de uma forma mais amigável. Com essa consciência, poderá viver uma vida mais plena e sincera. Pois todos os dias estará fazendo o seu melhor, de forma natural. Para um guerreiro isso é fundamental. Irá influenciar a maneira que ele treina, enfrenta a dor, persiste no Caminho e a forma que ele luta. Pois quem não teme a morte, jamais irá temer outro ser humano ou frustração terrena. Mesmo que esse ser humano, por muitas vezes, será você mesmo, ao se olhar no espelho.

Na vida não existe vitórias ou derrotas, existe o poder da ação. 

De fazer a diferença e manter o equilíbrio e procurar se afastar das coisas e pessoas ruins, que não possuem a mesma vibração que você, ou estão apegadas demais a vida. Quanto mais apego a vida, maior o risco de frustração.

Seja grato pelo dia de hoje e se o seu momento chegar, lute se possível e caso não aja uma solução viável, abrace o seu destino e desapegue de tudo que te mantém preso a esse plano astral. Tenha a certeza que a sua história e energia não irá perecer com o teu corpo físico, você voltará ao Universo e assim por diante, num looping constante.

A morte não significa o fim, existe para você viver melhor o aqui e agora.


sábado, 18 de janeiro de 2020

O parafuso perdido


Estava trabalhando na terra, num canteiro de grama. Retirando algumas ervas daninhas e procurando ajeitar o terreno, arrancando as ervas pelas raízes e revirando a terra o mínimo possível, quando encontro um parafuso enterrado. Era pequeno e preto, com rosca fina e encaixe para chave de fenda e cabeça de porca. Tanto faz, de fato pois isso já é linguagem de ferragem.

Fiquei imaginando como aquele parafuso poderia ter ido parar embaixo da terra. Qual seria sua trajetória, da linha de produção na fábrica, até ser embalado com outros, colocado numa caixa, viajado e depois entregue numa loja e finalmente vendido, junto com outros tantos iguais a ele. Claro, sem considerar a sua origem, que tipo de material foi derretido e como foi colocando num molde e depois resfriado para virar uma pequena peça de prender algo.

Seria um triste fim para o parafuso? Estar fora da sua função original? Estar enterrado significaria sua “morte” como é na vida dos humanos? Provavelmente estava ali a anos e poderia nunca ser achado. Sim, estaria fora da sua função e do seu objetivo inicial.

Assim são as pessoas. 

Não conhecemos suas origens, como foram feitas, de onde vem, quais os seus objetivos e funções, não sabemos se são conscientes da sua existência ou vivem a vida sem saber o que estão fazendo e para onde vão. Muitas são peças perdidas e avariadas e não estão enterradas, seguem no mercado. Todavia as pessoas também não te conhecem e não sabem do que você é feito. Ou como dizem: “qual é a sua?”

Certamente um ser humano é extremamente mais complexo que qualquer peça de indústria ou mecanismo. É vivo e dinâmico, com tantos mistérios que a própria ciência, medicina e psicanálise engatinha em alguns pontos desse organismo. Dentro desse contexto, que tipo de vida queremos levar? Seremos parafusos que cumprem sua função no Universo e com Deus ou seremos parafusos enterrados e esquecidos, carentes de um objetivo e de fazer a diferença na vida de muitos? Talvez façamos a diferença por um tempo, para poucos, então seremos enterrados e esquecidos, até alguém cavar e encontrar ou forçar a memória para lembrar o nome daquele parente distante que se foi a mais de cem anos atrás.

E assim a vida segue. O cosmos não esperar por nós, segue em movimento independente das nossas vontades, alegrias, tristezas, frustrações ou realizações. Que possamos ser um parafuso útil, que cumpra seu objetivo com perfeição e faça a diferença para muitas pessoas. Que possamos ser tudo isso, naturalmente, sem esforço para tal sem barulho ou alarde. No caso, o parafuso perdido não teve opção ao ser deixado na terra, nós temos as opções de fazer a diferença, todos os dias. Quem sabe se fazendo a diferença, poderemos ter um destino oposto ao que o plano da vida humana nos reserva? Para melhor concluir esse texto, vou citar o mestre Yoda: “Faça ou não faça. A tentativa não existe.”





sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

As dores que te acompanham


         Na etimologia da palavra dolor,ōris 'dor física, sofrimento corporal, tormento, inquietação é isso que significa. No universo da nossa sociedade tem diversas funções, geralmente a conotação é negativa, ainda assim a dor é capaz de produzir movimento. O que resta é a vontade humana de curar o que dói e livra-se desse desconforto.

         
         As dores mais comuns são físicas, causadas por acidente ou doença. Muitas dessas já possuímos medicamentos adequados, tratamentos ou ainda intervenção cirúrgica. Existe também a dor crônica, chamada fibromialgia, ocorre em várias partes do corpo e nem sempre encontra-se uma explicação. Então chegamos as dores da alma, do espírito ou os mais românticos diriam: as dores do coração.


Algumas pesquisas das quais não lembro a fonte agora, dizem que pessoas entrevistadas preferiam ter uma dor física que psicológica. Em estado mais grava a dor pode se tornar algo chamado “síndrome da conversão” onde a pessoa apresenta sintomas graves físicos e feitos exames médicos não aparece nada. A coisa é tão séria e tão comum que as estimativas são de que pelo menos 25% da população mundial experimentou ou vai experimentar os sintomas dessa síndrome. Esse processo acontece de forma inconsciente, quando a pessoa passa por algum trauma ou questão psicológica ou de transtorno de temperamento, e o corpo paga.

           Transformar essa dor psicológica em uma dor física é um mecanismo do próprio corpo humano, que talvez divida o peso de um trauma com o resto no corpo para não sobrecarregar o lado emocional.
Para tratar disso temos a terapia com psicólogos ou psiquiatras, que podemos orientar o indivíduo a focar em coisas boas da sua vida e procurar trabalhar os traumas e quedas, comuns durante uma existência. Descobrir se existe uma depressão em curso ou algo mais grave.

         Ainda assim, a dor emocional é terrível. Alguns dizem que com o tempo passa ou chamam de frescura, mesmo assim cada pessoa sabe o que dói na sua mente e 
o que transfere para o seu corpo. Muitas vezes é a culpa, outras tantas é a decepção, dúvidas e imaginação de um futuro que nunca haverá (no caso de rompimentos amorosos ou doenças fatais). A dor psíquica deixa profundas marcas e uma das maneiras de suportá-la e fortalecendo o seu organismo. Se alimentando com qualidade, fazendo atividades físicas, mudando hábitos, procurando amigos e familiares e sendo sincero sobre o que está passando. Pensar apenas no dia que está vivendo e empenhar-se ao máximo para esse dia, procurando não lembrar do passado ou faltas e deixando o futuro para outro momento também é uma forma de irradiar energia positiva para o seu corpo.


         
        A meditação, no conceito de esvaziar a mente e concentra-se na respiração ou em alguma atividade que te leve a um fluxo mental constante também auxilia a dor psíquica a passar.
Todavia, a dor faz parte da nossa vida. Alguns conseguem ter mais tolerância, desenvolvem ferramentas para absorver choques, rompimentos e perdas. Outros são balançados como um pequeno barco numa tempestade de oceano. Se a dor psíquica for insuportável pode levar a casos fatais como o suicídio ou a busca de mais dor através de mutilações. Somente pessoas com distúrbios psiquiátricos ou transtornos da personalidade para ignorar a dor e usar mecanismos de enganar a si mesmo.
             
        
        Mesmo que a dor exista, você precisa lidar com ela. Precisar observar-se e deixar aquilo sair da sua mente, do seu corpo. Tudo ao redor parece bem, ainda assim, a dor pode ser silenciosa e te acompanhar pelo resto da vida, cabe a você optar se vai carregar esse fardo ou dar um ponto final ao que te dói. 


        De qualquer maneira, a dor nunca é agradável e jamais deve ser a sua companheira. Não nascemos para conviver com a dor e a nossa natureza é bondosa, sendo que a dor acaba tornando uma pessoa em amarga e sem valores de gratidão e generosidade.

           O sofrimento faz parte da vida, a dor também. A mente é uma poderosa ferramenta a ser trabalhada. A combinação de boa vontade para aceitar a dor e treinamento mental são fatores chaves para que o impacto da dor em nossas vidas seja reduzido. Use-os a seu favor.

Sim, é difícil, mas vai passar.