terça-feira, 24 de julho de 2018

Arte Marcial, verdade ou picaretagem?


Métodos de combate são tão antigos quanto a própria civilização. Perde-se na história e ao longo das datas os primeiros eventos onde o homem precisou combater, ou contra feras ou porventura em guerras tribais. O termo "Arte Marcial" tem um significado oculto: "Arte" por ser algo criativo, com movimentos e prática dinâmica e envolvente nas quais cada pessoa pode usar e interpretar de uma maneira própria. "Marte" Este termo é vinculado ao deus da guerra romano Marte que, na mitologia grega, era chamado Ares. Assim, as artes marciais, segundo a mitologia romana, são as artes militares ensinadas aos homens. 


Atualmente, existem milhares de estilos de luta e esportes de combate. São diferentes, pois uns visam o aperfeiçoamento do ser humano como um todo, e outro, vista a competição baseado em regras específicas, medalhas e troféus e beneficiam o praticante tanto quanto outros esportes. 


Tive a oportunidade de treinar vários estilos de luta, e sempre que posso, observo instrutores e métodos, procurando entender do que se trata e o seu real valor. 


Tempos atrás, visitei uma escola de Taekwondo onde estava havendo um exame de faixa. Fui a convite e achei interessante. Muito bem organizados, havia um quadro de faixas com umas vinte duas graduações de diversas cores, inclusive com listras e outras camufladas. Existia uma forma de disciplina onde tudo que era dito havia uma resposta enérgica e demasiada dos alunos, como se fossem robôs, porém percebi que era tudo decorado. De fato, aquilo não fazia parte deles. Quando começou o espetáculo de técnicas, chutes e quebramentos notei que eram um esboço de técnicas - não continham força e sua aplicação era duvidosa. Porém, pasmei pois estava todos felizes e bem dispostos, envolvidos e todas as famílias orgulhosas. 

Aprendi uma lição: 

Os benefícios das Artes Marciais são tantos, que mesmo quando aplicadas de forma superficial, são positivas e promovem mudanças.

Afirmo isso após ter praticado de forma intensa por mais de vinte cinco anos uma Arte Marcial japonesa, com técnicas reais, específicas e com um universo imenso de aplicações. E continuo aprendendo a cada dia que treino e faço movimentos que já deveriam estar sedimentados no meu arsenal. 

Claro, existem demonstrações ridículas de alguns picaretas que prometem derrubar seus oponentes apenas com o poder da mente ou falsos quebramentos 

com materiais já fragmentados por antecipação ao evento entrou outras tantas falsidades marciais.

Ainda assim, um sistema de combate que promova o estímulo ao esforço, que consiga encaixar o individuo num sistema de disciplina com hierarquia mínimos já está promovendo benefícios ao praticante. Mesmo que certas técnicas não sejam efetivas, ou sejam mal aplicadas, se existe a vontade naquele ambiente de aprender e de superação, existe sim o caráter de Arte Marcial no local. 


Pré-julgar um sistema de combate, apenas pela sua eficiência não significa que o mesmo não seja positivo a quem pratica. Acreditar que o seu método é mais eficaz que outro é uma grande besteira e demonstra um ego que não combina com o verdadeiro Caminho do Guerreiro. 

Portanto, fico feliz quando me falam que alguém está praticando uma Arte Marcial. Não existe algo tão singular e inovador, como método de evolução pessoal do que o individuo aprender a se defender. Com o acréscimo de elevar sua auto estima, conhecer suas fraquezas e qualidades e poder desenvolve-las sem barreiras e com o apoio de outros que passam pelo mesmo Caminho. 



Quando, mesmo de forma inconsciente, lidamos com sentimentos atávicos como a vida e morte, guerra e paz, sobrevivência e diferenças entre presa e predador, promovemos um desenvolvimento real como ser humano. Alguém que tem orgulho de se dizer lutador, poderá ser um cidadão que fará a diferença no seu meio, assim como sua Arte Marcial fez para o mesmo. 


Segue um vídeo interessante sobre o assunto: 















segunda-feira, 23 de julho de 2018

Escolhas que te fortalecem

Escolhas que te fortalecem



No decorrer da nossa vida temos que fazer muitas escolhas, algumas vão nos favorecer, em grande parte, outras iremos nos arrepender e outras tantas não farão tanta diferença no nosso presente. Entretanto, diariamente estamos lidando com essas opções. As escolhas, por vezes, acabam definindo quem somos e qual nosso objetivo de vida. 

Vou citar seis escolhas e formas de lidar com elas: 

1. Aceitar o que o Universo te oferece.

Quando resistimos aos eventos que acontecem ao nosso redor, criarmos uma força desnecessária, pensamentos negativos e nossa energia é desperdiçada. Claro, não estou estimulando que possamos receber coisas negativas de forma "passiva". Porém, ao reagirmos aos eventos, que possamos fazer de forma equilibrada e eficaz. Mudanças (boas ou ruins) podem ser encaradas de forma a serem parte de um processo de amadurecimento pessoal e evolução. 

2. Gere movimento.


Somos seres dinâmicos, desde nosso fluxo sanguíneo, nossos estímulos nervosos, neurônios, sinapses, batimento cardíacos, articulações e mesmo de forma macro temos uma lua que gira ao redor do planeta, que por sua vez gira ao redor do sol e um Universo todo em movimento. Precisamos vibrar em sintonia com toda esse energia gerada do movimento e criar sinergia ao nosso redor. Energia dinâmica. Fazemos isso ao trabalhar, interagir com outros, praticar esportes e mesmo ao meditar.

3. Pratique esportes.


Esse um complementos do item anterior, nosso corpo foi projetado para o movimento. São dezenas de articulações e músculos, e todos precisam ser desenvolvidos e podem ser treinados para melhor desempenho. Outro ponto, é que com o passar dos anos a tendência é termos uma degeneração física que pode ser atenuada com a atividade física frequente. Além disso, quando praticamos exercícios, melhoramos nossa auto estima, respiração, repousamos melhor e dispostos a encarar a vida com outra perspectiva.

4. Acredite em algo.


Pode ser uma crença filosófica, também uma religião, grupo de apoio, estilo de vida entre outros. Todavia, é importante temos uma bússola moral e ética que nos direcione para objetivos reais e nos aproxime de pessoas positivas. 



5. Conviva e faça a diferença.

Importar-se sinceramente pelas pessoas e considerar todos como membros de uma aldeia global. Independente de pré-conceitos ou pensamento politicamente correto, somos seres humanos e passamos pelas mesmas dificuldades e alegrias e criar empatia pelo próximo sem pré-julgamentos é uma forma sensata de aceitar as diferenças e agir de forma pró-ativa no seu meio. 

6. Selecione por amor.

Escolha um pequeno grupo de pessoas para se dedicar de forma amorosa, intensa e leal. Faça planos e ajude-os a conquistar seus sonhos e objetivos. Escute-os e elogie-os. Não julgue, use o afeto de forma consciente para amenizar ações errôneas e a tendência a querer mudar as pessoas. Aprecie as qualidades e miniminize os defeitos desse pequeno e seleto grupo, para uma convivência mais harmoniosa e desfrute dessas relações.


Espero que esses pequenos detalhes, te tragam boas consequências e possas, assim como eu, seguir evoluído como ser humano. Por favor, não são verdades absolutas, apenas sugestões desse ser cheio de defeitos que escreve esse blog. Obrigado pela leitura. 





domingo, 11 de fevereiro de 2018

O desapego como terapia


Olhando ao nosso redor podemos perceber a quantidade de coisas inúteis que temos. Algumas são memórias de um momento, de pessoas queridas outras são peças de decoração e mais adiante temos objetos sem necessidade alguma em nossas vidas. E assim nos relacionamos também com sentimentos, pessoas, neuras e manias que possuímos. A que custo nos levou a consumir o que não precisamos?


Como eu escrevi antes, isso vai muito além dos bens materiais.

Viver de forma simples não é viver de forma simplória, já diria o mestre Cortella (veja vídeo abaixo). Alimentamos nossas ansiedades e frustrações com bens materiais e temos isso por hábito que está enraizado na nossa educação. Infelizmente isso se estende aos nossos sentimentos, alegres ou tristes. Machida Sensei diz que devemos procurar não se apegar a sentimentos como derrota ou vitória extrema. Sim, pois acabamos por nos deixar levar por essas emoções o que cria picos de euforia e tristeza em nossas vidas. E de forma desnecessária.

Uma parte do nosso apego às coisas tem haver com o ego. Precisamos de ferramentas que nos façam sentir mais queridos, poderosos, bonitos e aceitos. Todavia acabamos nos deixando levar por esse traço da nossa rotina e criamos venenos de conduta. 

Inevitavelmente iremos nos apegar a outras coisas e condutas e isso irá nos atrapalhar nas relações profissionais e pessoais. Dentro disso, saliento que escrevo baseado nos meus próprios fracassos (que são muitos e bem mais frequentes que as vitórias).

Criar o desapego é uma construção diária. Pode ser na ação de doar algo. Pode ser pedindo desculpas por falhas, por mudar um hábito que lhe faz mal ou por dedicar alguns minutos para ouvir estranhos e – pasmem – até pessoas que você ama.


Para os japoneses, parte de ser simples e desapegado, tem haver com a organização. Quando temos bagunça ao nosso redor ou nossos pensamentos estão poluídos a ponto de nos fazer perder o foco nas graças que temos e no nosso equilíbrio, perdemos o que é preciso: nossa paz interior.

Ninguém é monge ou almeja alcançar o nirvana nessa encarnação. Alguns pensam estar vivendo de forma abundante, apegados à matéria e emoções. 

Outros querem melhorar como seres humanos, colaborar nessa existência com algo maior e deixar um legado, uma lembrança, para tal o ideal é livrar-se do que lhe tranca o Caminho. Entregar para o Universo o que não tem mais uso, material ou abstrato, ambos - em excesso - podem fazer parte ou não do que você é. 







A difícil convivência com pré-julgamentos.

 Vivemos numa sociedade recheada de informações, em nenhum período da história humana tivemos tantos dados disponíveis. No meio de tanto bites de conteúdo, nos deparamos com redes sociais que conectam pessoas através de perfis e notícias sobre as rotinas alheias. Dentro disso, era de supor que algumas barreiras iriam cair e o mundo ficaria mais harmônico. 

 Não esta acontecendo. 


Pela necessidade de velocidade em tudo que se faz, de forma sintética e sem filtro, estamos prejulgando mais o próximo. Não temos mais tempo tampouco tolerância para tentar conhecer quem está próximo a nós. Logo procurarmos encaixa-lo num estereótipo de fácil entendimento e aceitação. Ou em muitos casos, rejeição. Alguns mais simples e antiquados, porém não menos cruéis são os julgamentos sociais. Onde classificamos pessoas pelo sucesso financeiro, carro, bens e quantidade de exposição nas redes sociais em suas viagens ou lazer. Isso explica porque tanta gente finge ser ou viver coisas na internet, para erroneamente, ser aceito. 


Outro objeto de prejulgamento perverso são os “terapeutas de plantão”. Pessoas tão fracassadas e inseguras que cometem o absurdo de rotular outros com diagnósticos de doenças psiquiátricas complexas como esquizofrenia, bipolaridade, déficit de atenção, depressão, anorexia nervosa, transtorno obsessivo compulsivo, psicopatia entre outras. Conversando com amigos psiquiatras e psicólogos, ambas as áreas envolvidas nos estudos da psique, tive a noção do grau de dificuldade mesmo após anos de terapia de um paciente para se diagnosticar precisamente uma patologia. Então em leituras mais aprofundadas sobre o assunto, me deparo com os mesmos relatos da dificuldade em se chegar a um consenso em diagnósticos avançados. E pasmem que muitos leigos já rotulam familiares, amigos e colegas de trabalho com esses "precisos" diagnósticos. 

Então temos prejulgamentos mais básicos e comuns como: gorda, magra, alta, baixa, lerdo, ligeiro, tagarela, caladão, mal humorada, exibida, etc. Estes são simples entretanto tão ruins quanto e tão infantis que atualmente são tratados já nas escolas infantis, com o tal "bullying". 


 Quando julgamos alguém nunca levamos em consideração a possibilidade de estarmos errados. Ou a história desse alguém. Lembro-me de um relato do psicólogo que acompanhou o DALAI LAMA por anos em viagens sobre a raiva que sentia de algumas pessoas. E de como o mestre Lama iluminou sua mente no sentido de conhecer primeiro a história de alguém antes de julga-lo. Facilita a aceitação de algumas condutas que não entendemos, e quiçá, o perdão de faltas dos mesmos para conosco. O fato das pessoas não agirem exatamente como nós ou dentro das nossas “expectativas” não significa que estas são piores ou melhores que nós. 


A conduta de prejulgar alguém dentro do nosso quadro de seres imperfeitos, não nos torna melhores que outros. Nos torna apenas mais superficiais em relações, nos move para uma forma maligna de juízes das falhas humanas. Sobre isso, quem julga duramente, um dia será julgado tal como. Para evitar isso, cabe nos importarmos realmente com o próximo a ponto de enxergamos sua existência exatamente como ela é, sem rótulos e respeito às individualidades. Difícil sim, mas não impossível.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O passageiro

Sou um viajante. Ainda assim, não sou daqueles que exalta os poderes de viajar. Acredito que a melhor viagem é a interna, claro, ciente que visitar outras paisagens desperte a mente e ideias. 

Sair da zona de conforto da sua casa.

Ser um passageiro é um dos momentos aonde nos deparmos a conviver com estranhos num pequeno espaço. E isso não é fácil.

Como ensinar a alguém a ter educação num ambiente restrito? Imaginem que temos problemas em cidades, num espaço bem maior. Num avião ou ônibus os vicíos de conduta se agravam.

Primeiro o hábito de falar alto. Depois o de escutar música em fones de ouvido no volume máximo. Depois comer coisas com cheiro. Roncar. Outros mais além do pior que é fumar. Esse im mal mortal, onde percebemos a fraqueza de alguns, a cada parada uma descida para um fumo. Ou pessoas que se trancam no banheiro para fumar achando que o ar condicionado do espaço não irá espalhar o cheiro pelo resto do ambiente. Ledo engano.

Usar o espaço público com bom senso é uma arte, de treino diário. Viajar é uma oportunidade de treinar a nossa tolerância e aprender o que não fazer para o próximo. Louvável quem viaja e passa desapercebido. Boa viagem!

quarta-feira, 26 de março de 2014

A educação dos filhos nos tempos atuais...

Quino, o cartunista argentino autor de Mafalda, desiludido com o rumo que está tomando o mundo, quanto a valores e educação, expressou seu sentimento a respeito...










A genialidade deste artista produziu uma das melhores críticas sobre a educação dos filhos nos tempos atuais...

terça-feira, 25 de março de 2014

A rede - que pega o seu peixe - social.


Sou cliente da internet desde a sua aparição no Brasil, graças a um ambiente familiar favorável a tecnologia e novidades da área. No Rio Grande do Sul o primeiro provedor foi um órgão do estado, a PROCERGS. Quase não existiam sites para se visitar e usávamos apenas e-mails e precários chats para nos comunicar com uma pequena quantidade de usuários que já tinham internet.  Após surgiram outros pequenos provedores, Nutec, depois Nutecnet, após o ZAZ e finalmente, o Terra. Instalava-se a internet, ainda não para todos.


Minha monografia na faculdade de Comunicação Social – Propaganda – foi sobre a internet e seus caminhos. Isso em meados de 2001 (13 anos atrás) onde estudei a fundo os autores que falavam sobre essa nova mídia e já elaborávamos, todos nós, teorias a respeito.

É fato que o formato de hipertexto (links que você clica numa palavra e surgem outros conteúdos) já existia, em livros, a centenas de anos. Ainda que essa necessidade de nos comunicarmos e formarmos pequenas “tribos” faz parte da nossa cultura e sociedade.

Tenho plena consciência do caráter volátil das tendências na internet. Empresas nascem e morrem a todo o momento nesse ambiente virtual, e o que é moderno hoje (Cult), torna-se ultrapassado e brega em pouco tempo. É assim que tem que ser na tecnologia de informação.

Uma das características da internet que a tornam tão atraente é a capacidade de interação do usuário. Após décadas com uma inovação chamada TV, onde apenas recebíamos informação em massa e bem mastigada, como se estivéssemos vendo o mundo através da tela (na realidade estávamos dentro de uma caverna, sem olhar para fora - sabia mais em "O mito da Caverna") chegamos ao ponto de termos interatividade. Trocávamos informações.

O novo Orkut - e agora já antigo, Facebook


O Artista Andy Warhol, um ícone do século XX disse em 1968: “- no futuro todos serão mundialmente famosos por 15 minutos”. Através da rede social, muitos acreditam que são famosos por mais que quinze minutos! Massageiam o ego e procuram tapar buracos da sua existência. E da sua vida. Mostram apenas o lado bom do seu jardim e a demagogia é liberada. Atualmente a rede social não é apenas uma ferramenta de comunicação e troca de informações, infelizmente se tornou uma perigosa fogueira de vaidades. Esse um dos sete pecados capitais, o orgulho ou vaidade do Latim superbia, vanitas. Como disse Al Pacino num filme que representava o demônio: "- o meu pecado favorito!" 

Tomei a decisão de reduzir o uso dessa rede social. Ainda estou lá, tenho esse recurso quando necessário. Quero preservar o contato com pessoas que me são queridas e estão longe fisicamente.

Ainda assim, cansei de tanta babaquice sobre política (como se algum partido ou político tivesse a solução para o Brasil sem uma reforma política), sobre futebol e Copa do Mundo e seus abusos, sobre filosofia de pára-choque de caminhão (alguns caminhões possuem mais sabedoria do que muitas frases prontas de perfis). 

Lamento para quem – como eu fazia – utiliza a rede social todos os dias para se comunicar apenas. Estamos expostos a uma falta de bom senso em postagens. Ainda assim, podemos filtrar ao máximo as amizades e o que queremos ver ou não, entretanto, estamos à mercê de bobagens sem fim. Tolerância, diria o mestre Dalai Lama. Paciência, diria nosso querido Papa argentino.


A superficialidade de conteúdo é uma tendência mundial na internet. Aliado a isso, algumas más características da nossa cultura brasileira (tão rica em outros aspectos) adiciona a futilidade a rede social. As pessoas antes de postarem algo são incapazes de pesquisar no Google a respeito. Não pensam e apenas agem. Estamos consumindo coisas sem sentido e usando uma falsa comédia, muitas vezes, de mau gosto para preencher linhas do tempo. Estamos curtindo gente, que de fato, não conhecemos.

Decidi dedicar qualquer tempo livre a ler mais revistas e livros. A conversar mais com pessoas. A pensar ou simplesmente – pasme - não fazer nada. Esvaziar a mente, apaziguar os pensamentos e focar na vida que ocorre fora da vida dos outros. Ou também, trabalhar mais. Criar mais soluções e fazer render o tempo. Vejam bem: não é falta de interesse na vida de amigos ou familiares que são importantes. É evitar a decepção com amigos e familiares sem conteúdo e com pensamentos pré-conceituosos e materialistas.

Ser famoso por quinze minutos não é importante. Fazer a diferença da vida de alguém é que realmente importa. Fazer a diferença na vida real (não virtual) e ter um retorno ao vivo. Por exemplo, Na nossa última ação social, conseguimos doar brinquedos para crianças carentes no fim de ano. Essas crianças não estavam na rede social, ninguém queria saber delas, mesmo elas estando próximas das suas casas. Elas não são importantes e não merecem “curtis” de ninguém.

Fomos lá e fizemos a diferença.

Numa caminhada descontraída pela cidade, passei por uma família revirando um contêiner de lixo. Uma criança grita: “- professor! Professor!”. Eu me viro e não reconheço seu rosto. Pergunto onde eu dei aula para ela, a pequena diz meu nome e mostra o brinquedo que recebeu há alguns meses atrás. O irmão, um pouco maior, vem falar comigo. Os pais se aproximam e me agradecem. Todos sorriem. Eu com tanto e eles com tão pouco. Saio do encontro revitalizado. Em tantos anos de internet ainda não podemos encontrar esse tipo de sensação fora da vida real. Claro, se temos uma vida digna de ser vivida, também podemos usar os recursos de uma rede social. O difícil é usar com sabedoria e alegria, sincera.

Por isso, viva e torne a sua vida mais real. Torne a sua vida mais colorida e cheia de nuances. Interaja com a natureza e com pessoas que lhe acrescentem. Desafie-se. Rompa seus pré-conceitos e evite valorizar o aspecto material ou a aparência das pessoas. Seus troféus, medalhas e conquistas não dizem muito sobre o seu caráter. Certificados de papel não deixam um legado para as próximas gerações. Viva com fé. Duvide das suas verdades e de pessoas que não praticam, apenas mandam ou vivem de passado e falsas morais. Reaja e inove.

E caso não gostes de nenhuma dessas opções, poste algo no Facebook e sinta-se melhor.

                                               

segunda-feira, 24 de março de 2014

O ser autocentrado

Se você está lendo esse texto você pode pensar e agir. A tua ação dependerá de vários processos mentais invisíveis e que provém da razão, da sua mente e cérebro. E isso de formou dessa forma através de milhares de anos de evolução da humanidade. Tendo em vista esse quadro, somos uma sociedade quase perfeita onde todos vivem de forma racional e igual, onde o bem estar da sociedade e mais importante que o bem estar de uma pessoa apenas. Não somos assim? infelizmente, estamos longe disso.


As justificativas são inúmeras para o nosso comportamento egoísta e auto centrado. A dois mil anos atrás um pensador abordou esse tema procurando dizer que deveríamos “amar o próximo com a nós mesmos” e isso nunca ocorreu. E cá estamos em pleno futuro após esses milhares de anos e vivemos com abundância em tudo, menos nas atitudes em prol dos outros. Parece demagogia, claro, pois mesmo esse que vos escreve não é perfeito e se insere nesse contexto. O que nos surpreende diariamente é perceber ações negativas se propagando na nossa sociedade. E sendo bem sucedidas e aceitas.

Ser autoconfiante não significa desvalorizar o próximo. Não significa acreditar que as suas verdades são melhores que as dos outros e muito menos não questionar-se sobre as tuas atitudes. Graças aos meios de comunicação em massa hoje temos a possibilidade de sermos pequenas ilhas e reis e rainhas dentro dos nossos lares e carros. Ou no nosso micro ambiente social que de forma imaginária acreditamos ser o ideal e isento de responsabilidade com o macro ambiente que vivemos.

E isso se manifesta no trânsito, no acúmulo de lixo nas cidades, nos relacionamentos falidos entre casais que não se amam e convivem por interesses econômicos entre si e falsas amizades onde pretensos parceiros visam somente angariar dividendos com a tua amizade. Atos simples como elogiar o próximo está fora de moda ou pequenas atitudes de gentileza facilitadas hoje em dia pela tecnologia, como um telefonema cordial ou um clique de curtir em algo que você gosta na rede social do seu amigo - ou ainda - dar passagem para outros no trânsito estão se tornando raros. É um novo tipo de ser social que surge, que na sua pouca consciência não depende de ninguém para viver e faz o suficiente para ser agradável quando isso gera dividendos financeiros ou para massagear seu ego.

Se algo ou alguém nos desagrada por ser diferente o que fazemos? Apontamos o dedo! Rotulamos como leproso social, e como tal, os deixamos a margem da nossa convivência. Não fazemos o menor esforço em entendê-lo ou nos questionar a nossa filosofia de vida (ou falta dela). Justificamos parte desse comportamento com a “falta de tempo” ou “pressa” correndo como baratas tontas para lugar nenhum. Por vezes, abro porta para pessoas passarem em algum local e fico pasmo quando elas passam sem ao menos agradecer. Costumo dizer: “- de nada” para a pessoa perceber a grosseria que está fazendo. Em todos os casos, a pessoa volta o rosto e diz: “- obrigado” meio a contragosto. Raros casos voltam e pedem desculpas por não ter percebido a grosseria. A tendência é as pessoas agirem como se os outros ao redor fossem seus empregados. E isso não é somente falta de educação e cortesia, é agir de forma egoísta. 

Somos uma sociedade de iguais ou ao menos deveríamos ser.


Vejo em publicações virtuais e impressas artigos e comparações entre os animais e humanos. As manifestações são várias de que os animais agem de forma mais pura que nós, mesmo sem raciocínio. Claro, são análises superficiais desses comportamentos, pois a ciência sabe que animais podem ser diferentes mesmo convivendo em grandes grupos, e por vezes, podem ser cruéis, num ambiente selvagem. Mesmo animais domesticados dependendo da circunstância podem agir de forma negativa. Todavia estamos falando de animais e não seres humanos, que deveriam primar pelo raciocínio e ação. 

De que adianta se dizer ecológico quando o principal item dessa ciência está sendo negado, que é a preservação da própria espécie. E para preservar alguém, temos que respeitá-lo e valorizara-lo como igual, sem intenção de obter nenhuma vantagem. E nisso resulta um desafio da nossa sociedade: vivermos num planeta gigante (e cheio de recursos) como se vivêssemos dentro de uma pequena nave espacial. Será possível? 

A falsa sensação de competência


A burocracia além da razão


Estamos vivendo um momento de transição na história. Pela primeira vez temos um grande número de pessoas com acesso ilimitado a informações, de diversas fontes e qualidades (boas e más). É o avanço tecnológico e das comunicações que varre o nosso mundo em busca de novos adeptos e demandas, visando é claro, o lucro, porém com um viés de serviço filantrópico. Essa transição nos faz conviver e confiar na tecnologia como solução para problemas em produtos e serviços nos setores privados e públicos. Todavia, não é o que está ocorrendo, os problemas estão aumentando.

Tenho notado um aumento da insatisfação dos consumidores sobre os serviços privados e isso se demonstra claramente no alto índice de reclamações em órgãos de proteção ao consumidor. Apesar de toda a tecnologia disponível, esses recursos encontraram uma grande massa de seres humanos ainda não preparados para lidar com as facilidades das mesmas. Não basta ter um curso de informática ou saber operar um computador, o cérebro e a mente devem estar ajustadas para utilizar os recursos com bom senso. Em muitas áreas, quando somos consumidores percebemos que existe uma falta de profissionalismo e agilidade no retorno de solicitações, por mais dinheiro que você tenha – além da disposição em comprar – a falta de bom atendimento está generalizada.

E amparada na tecnologia e nas suas aparências, a incompetência tomou conta. Não existe mais a necessidade de questionamento nos processos de atendimento, tampouco a reflexão se os mesmos estão atendendo de forma eficiente as demandas. Tudo é deixado para outro dia ou repassado a responsabilidade para outro setor, e pior, descaracterizando o fator humano no atendimento.

Por vezes, percebemos processo em andamento em instituições privadas, associações, federações e órgãos públicos que não tem cabimento. Que são daquele formato apenas por preguiça de se re-pensar seu funcionamento. Toda a tecnologia disponível não atende problemas simples de se resolver. E o DNA disso está na nossa cultura onde não somos ensinados a criar soluções e a debater de forma saudável os processos e também se forma pelo tipo de governo federal que temos. Sim, para um Estado não é salutar uma mesma linha de ideologia política ficar no governo mais que quatro anos. Após isso se forma “zonas de conforto” em vários órgãos e métodos e isso influencia diretamente a iniciativa privada, que na falta de um bom exemplo de eficiência e eficácia (são conceitos diferentes, clique nas palavras para saber mais) acaba por se omitir e acomodar.

Qual o nosso papel nisso tudo? Cabe-nos concentrar nas pequenas demandas diárias e torná-las mais eficazes e com menos desperdício de energia. Cabe-nos facilitar a vida do próximo com soluções criativas, limpas e honestas dentro de um sistema que nos obriga a sermos burocratas. Para isso temos que estar de coração e mentes abertas a servir o próximo de forma sincera e desprovida de vaidade, nos colocando no lugar dos outros e facilitando ao máximo suas vidas. Essas atitudes começam com os pequenos detalhes no dia-a-dia, desde o trânsito até dentro da sua casa. Se quisermos usufruir da tecnologia como forma de solução para os nossos problemas, teremos que modificar a nossa postura e agir de forma focada, nos outros, e não em nós mesmos.



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Método para treinar Karatê na praia.


 Época de férias e alguns hábitos são modificados dentro da nossa rotina de atividades físicas. Para os praticantes de Artes Marciais acostumados a ter um professor (Sensei) a disposição, avaliando e corrigindo as posturas e técnicas, esse período de ausência do dojo pode ser ainda mais difícil para manter a forma física.

Existem dois horários básicos para você treinar Karatê-Dô na praia: ao nascer do sol (por volta das seis da manhã) ou à noite (por volta das vinte horas). A razão desses horários é não chamarmos a atenção das pessoas que passam pela praia. É certo que um praticante de Karatê-Dô executando chutes e socos, no ar, é algo estranho para pessoas leigas, que podem parar para observar, perguntar ou até querer interagir com os movimentos. Em outros casos, por pré-conceito, podem até achar que você é maluco. Tanto faz, no fundo, porém para mantermos a concentração no treinamento o ideal é evitarmos contratempos.

O terreno que você irá treinar influenciará o seu desempenho. Vamos utilizar a areia fofa, areia dura e água do mar. Não existe a necessidade de usares kimono, sem formalidades e concentração apenas na técnica. 

Vamos iniciar o treino na areia fofa. Ela irá dificultar os movimentos e fará você entender o valor do dachi (da base), dos movimentos de pernas, pés e tornozelos. Além do centro de gravidade. Se fores executar katas comece com movimentos lentos e centrados no dachi e vá aumentando gradativamente a velocidade e força.  Pelo fator vento, por vezes, quando chutares a areia irá contra o seu rosto entre outras coisas. Ignore. Siga treinando. Aos poucos você irá se integrando com o ambiente e sentirá a força da natureza ao teu favor.

Após algum tempo, siga o treinamento na areia dura, próxima ao mar. Verás que os movimentos fluem com mais facilidade e que a sua força estará aumentada. Procure não concentrar-se nisso e siga focando nas técnicas, posturas e precisão de chutes e socos. Cuide para que os braços estejam próximos ao tronco e centro de gravidade. A sua coluna deve estar alinhada e o quadril encaixado. Evite o desequilíbrio. 


Quanto mais baixo seu dachi estiver, melhor as técnicas serão executadas. Por fim, treine alguns movimentos (ou kata) com a água do mar até os joelhos. Isso irá reforçar a sua base e firmeza do corpo (e core), pois as ondas tendem a colocá-lo fora do seu centro.

Se você abrir sua mente irá perceber que isso é uma analogia para os desafios da vida. 

Karatê-Dô é sinceridade, Karatê-Dô é vida. Bons treinos Oss!







quarta-feira, 6 de março de 2013

Ter razão ou ser feliz?

Gosto de conviver com gente que me acrescenta. Que me estimula a pensar e rever meus conceitos, ou mesmo, confirmá-los. 

Ter a razão é ter responsabilidade e ficar preso a algo como se fosse algo absoluto e imutável.  O universo está em constante movimento, mesmo  que seja de forma imperceptível ao nosso olhar. Sou ávido por respostas e os questionamentos fazem parte do meu aprendizado e reconhecer que estou errado me faz evoluir. Muitas vezes estou correto na minha avaliação sobre determinado tema, porém isso não é o mais importante. 

De fato, o que tem valor é ser flexível, ciente que nem sempre temos razão sobre tudo. Dá muito trabalho ter a razão e tentar convencer aos outros que estamos certos. Quando mais razão tiver, mais chatos ficamos. E na convivência com pessoas, é melhor que ambas saiam vitoriosas e sintam-se bem. Ser feliz, no caso, é uma escolha racional.